sábado, 13 de setembro de 2008

Vettel - L'enfant terrible!


Mais uma vez a chuva deu as caras em Monza, para desespero de pilotos e equipes. Mas nem todos ficaram totalmente aflitos. A modesta Toro Rosso, Vettel e Bourdais literalmente nadaram de braçada na encharcada pista italiana.

Logo no início do Q1, viu-se que aquela não seria uma sessão comum. Os favoritos à pole Rakkonen, Massa e Hamilton lutavam para fazer tempo e garantir pelo menos a 16ª posição para passar ao Q2. Enquanto isso, a Honda de Barrichello e Button além de Nelson Piquet amargavam o fato de largar nas últimas posições. Na segunda fase do treino, viu-se o domínio de Heikki Kovalainen, que vinha marcando os melhores tempos. Situação bem diferente de seu companheiro de equipe, Lewis Hamilton, que só conseguiu o 15º tempo uma a mais que Kimi Raikkonen, que sairá da 14ª posição. Massa classificou-se para o Q3 com apenas o 10º tempo.

Na superpole observou-se o surpreendente domínio de Sebastian Vettel, que logo tratou de marcar o tempo de 1:37.555 e garantir sua primeira pole position na carreira. Seu companheiro Sebastien Bourdais também não deixou por menos e cravou o 4º tempo do dia. Dividindo a primeira fila com Vettel estará Heikki Kovalainen da McLaren. Mark Webber sairá da 3ª posição.

Este é um sábado histórico. Esta é a primeira pole da Toro Rosso e de Sebastian Vettel, que de quebra tornou-se o mais jovem piloto a marcar uma pole na F1, aos 21 anos e 2 meses. A marca anterior pertencia a Fernando Alonso, que saiu da primeira posição do grid de largada aos 21 anos e 7 meses no GP da Malásia de 2003. Com isso, o jovem alemão mais uma vez prova que, em breve, dará muito trabalho à Hamilton, Raikkonen, Massa, Alonso e cia.

Para amanhã, a previsão é de corrida sob chuva. Entretanto, se chover muito forte como na sexta feira, pode-se ter problemas na realização do GP. O que determina o cancelamento da corrida são as condições de pista (excesso de água e visibilidade) e teto que permita decolagem do helicóptero de resgate. Se não tiver teto, a largada é adiada até que as condições de tempo melhorem. Com pidta seca ou molhada, o GP da Itália promete fortes emoções.
** O título em francês não tem nada a ver com Vettel. Mas foi bolado durante a aula de francês, logo após o treino oficial do GP da Itália.

Tudo sobre - GP da Itália


Extensão: 5,793 km
Número de voltas: 53
Pole em 2007: Lewis Hamilton (1:47.338)
O Circuito


A Fórmula 1 despede-se da Europa em 2008 em um palco digno de tal honra: a pista de Monza. O autódromo localizado no parque Real de Monza foi contruido em 1922 e recebe a F1 desde sua primeira temporada em 1950. A sua principal caracterísitica é a de ser um circuito de altíssima velocidade, onde os carros alcançam assombrosos 340 km/h no final da reta dos boxes, o ponto mais veloz na temporada.

Com retas tão longas é de se esperar que se corra com a configuração de menor carga aerodinâmica na temporada. As asas assumem uma posição praticamente plana, garantindo o mínimo de arrasto possivel para voar nas retas. Em uma pista tão veloz é de se esperar que os freios desempenhem papel importante e em Monza eles são altamente exigidos. Só para se ter uma idéia, na Variante Retifillo a força g de desaceleração chega a 4,5. Em toda a extensão da pista existem 4 pontos de frenagem onde os carros chegam a mais de 320km/h. As equipes vão quebrar a cabeça para manter os freios resfriados sem preju[izo na aerodinâmica. Do ponto de vista da suspensão, a idéia é garantir a maior aderência mecânica possível e estabilidade de frenagem. Para fazer bons tempos em Monza é necessário atacar as zebras e frear bruscamente, para isso um bom acerto é fundamental. Geralmente os acertos são super-baixos e usa-se o velho truque da borracha na suspensão, para que o carro "sente" nelas em alta velocidade.

O motor é um capítulo à parte em Monza. Os pilotos passam 77% da volta com o pé embaixo no acelerador. Os propulsores precisam ser capazes de operar a uma velocidade média de 275km/h alcançando o máximo de 340km/h na reta dos boxes. Além disso, há um período de mais de 15 segundos em aceleração plena, que vai da saída da Parabolica até a entrada da Variante Rettifilo.

Monza é o último circuito ultra-veloz remanescente na Formula 1, o que significa garantia de diversão para os pilotos. O primeiro ponto crítico é a ariante Rettifilio, onde os pilotos fazem a freada mais brusca (de 340 para 74 km/h) e que pode fazer muita gente catar tatu logo na largada. Pouco depois tem a incrível Curva di Lesmo, feita em 2 pernas e em alta velocidade. Mais à frente vem a Variante Ascari, onde é necessário atacar as zebras para fazer um bom tempo.

Parabólica
Após a reta da Variante Ascari vem um ponto decisivo da pista: a mítica Parabolica, curva de alta, contornada a mais de 200km/h. Este é um ponto crítico do circuito. É necessário atacar a Parabólica da forma correta, para manter um traçado ideal e acelerar muito, para vencer a força centrífuga que joga o carro para fora da curva. Somente contornando a Parabolica perfeitamente, pode-se chegar à reta com condições de acelerar tudo até os quase 350km/h.


quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Anatomia - Por que o motor falha?


Hungaroring e Valência. Nas duas corridas a cena se repetiu. Um carro vermelho, rodeado de fumaça para em plena reta. Motor estourado. Fim de corrida. Este foi o destino de Massa e Raikkonen há algumas corridas. A Ferrari perdera dois motores em provas próximas. E agora, uma nuvem negra de preocupação paira sobre Maranello. E com razão. Semana passada a F1 correu em Spa, onde se acelera 70% da volta. Neste domingo, o desafio será vencer a velocíssima pista de Monza, onde os carros rasgam a reta a 340km/h. E os motores se esgoelam durante 76% da volta. E com a regra de 1 motor para 2 corridas, Raikkonen e muita gente do grid estará na segunda corrida do motor, após as altas exigências da Bélgica. Mas a gente se pergunta: o que leva um motor a falhar de forma tão repentina?
O motor é famoso por ser o coração do carro de F1 (e de qualquer outro, é claro). Obviamente, na categoria mais TOP do automobilismo, os motores têm que cumprir uma série de exigências. Certamente, se eu tivesse que escolher ser uma parte de um carro de Fórmula 1, eu não ecolheria ser o motor! Trabalha em regime de temperaturas incrível, gira que nem louco (a 19000rpm), tem seu funcionamento dependente de outros sistemas (eletrônico, hidráulico, pneumático), bebe que nem um doido, tem que ser ao mesmo tempo leve, resistente e confiável. E no final, ainda te culpam se algo vai mal. Fora que depois de duas corridas...
Por isso mesmo, todos estão de olho no motor. Entretanto, nem sempre as coisas vão bem. É de se esperar que um sistema que trabalha a temperaturas tão severas, com fluidos em altíssima velocidade e com tantas partes móveis vá apresentar alguns problemas. As equipes obviamente fazem de tudo para evitá-los, mas às vezes eles acontecem. As principais causas de falhas em motores de F1 podem ser assim divididas:
1 - Defeitos de fabricação, componentes novos defeituosos
Estas são as principais causas de falha no início da vida do motor. Como é composto por muitas peças e estas precisam trabalhar juntas de forma perfeita, algumas falhas são cometidas durante a montagem e a manufatura de certos componentes. Assim, logo que o motor está pronto, passa pelo dinamômetro, onde haverá o famoso "amaciamento", para que as coisas entrem em seu devido lugar e para que se tenha a certeza que o motor que será instalado no carro está funcionando bem. Segundo a Ferrari, um jogo de bielas com peqenos defeitos de fabricação foram as causas das recentes falhas nos motores de Massa e Raikkonen.
2 - Fadiga
Motores da F1 são feitos para durar normalmente 2 corridas. Comparando com nossos carrinhos de cada dia é até covarde. Nossos motores, com bloco em aço são feitos para aguentar milhares e milhares de quilômetros, considerando que nem todo mundo vai usar combustível de qualidade ou lembrar de trocar o óleo. Já na F1 as coisas são muito diferentes. Os motores geralmente os blocos são fabricados em liga de Magnésio e (cuja composição é segredo de Estado) e pistões em liga de Alumínio, para garantir leveza ao conjunto. Entretanto, esses materiais leves devem ser também resistentes, dadas as condições de operação do componente. E são essas condições severas de operação, como altíssima velocidade de rotação, variações bruscas de temperatura e vibrações que muita vezes geram a famigerada "fadiga" dos materiais, tão presente em diversas situações na Engenharia. Neste caso, uma fissura que muitas vezes é imperceptível a olho nu, pode transformar-se em um rombo enorme por causa do esforço repetitivo durante uma corrida e mandar as esperanças de seu piloto para o beleléu!
3 - Problemas hidráulicos e pneumáticos:
O tal "problema hidráulico" já virou até piada. Sempre que o carro parava sem motivo e o piloto chegava para falar com a imprensa com cara de chuchu, todos já sabiam que ele iria dizer que fora vítima de problema hidráulico. Parece desculpa esfarrapada, mas os problemas hidráulicos respondem por boa parte das falhas no carro de F1. E com o motor não é diferente. Se o acionamento hidráulico que bombeia óleo lubrificante falhar, adeus corrida. Isso porque o lubrificante é importante, não só para diminuir o atrito das partes móveis, mas também para agir como detergente limpando a sujeira causada pela combustão, além de garantir que o motor não vai superaquecer, já que o óleo rouba o calor das partes mais quentes enquanto circula. Os problema pneumáticos também não ficam para trás nessa hora, já que os sistemas de abertura e fechamento de válvulas têm controle pneumático. Um descompasso pode causar falhas graves e irremediáveis, como o choque do pistão em alguma válvula aberta. Aí, é fumaça e óleo pra todo lado!
Válvula com acionamento pneumático

4 - Fatalidades e falhas humanas
Ah, as fatalidades da F1! Elas sempre aparecem e não poupam nem os motores. Sempre pode haver uma porca do tamanho de um caroço de mostarda que pode ter ficado solta em algum cilindro... Daí, com o esforço repetitivo da corrida e a pecinha no pistão são o prenuncio de uma carnificina automibilística. Dá pena até de pensar. Além disso, tem o fator Humano na história. Apesar de todo controle, da telemetria, das centenas de sensores, alguém sempre pode fazer uma bobagem. E muitas vezes a bobagem é cometida por aquela peça importante, que fica entre o volante e o cockpit...

5 - Superaquecimento
Malásia, Hungria, Valência, e tantas outras dependendo do gosto do El Niño e La Niña. A F1 sempre vai correr em condições climáticas duras. Essas corridas geralmente são disputadas sob forte calor, se quebrar ovo no asfalto ele frita. E fritam também os miolos dos engenheiros e mecânicos que ficam tentando resfriar as máquinas. O carro de F1 tem 2 entradas de ar laterais para o radiador, e os motores são refrigerados a água e ar. Mas em algumas corridas, as entradas de ar ficam obstruídas, limitando a ação do sistema de arrefecimento. Assim, o motor pode sofrer com o superaquecimento. Trabalhando a temperaturas mais altas que as suportáveis, alguns componentes importantes podem ser prejudicados, o que pode levar deflagrar uma falha catastrófica, com gases a altíssimas temperaturas tomando conta de tudo, o que faz o propulsor fundir.
Diagnóstico
Todas as operações do motor são monitoradas pelo sistema de telemetria. Temperaturas, pressão do óleo, abertura de borboleta são alguns dos parâmetros observados pelas equipes. Qualquer alteração importante é prontamente avaliada e demanda uma resposta. Geralmente, quando se percebe uma alteração significante, o regime de rotação é alterado para que se possa evitar o pior durante uma corrida. Porém, muitas vezes as falhas são repentinas e catastróficas, ou seja, não sobra muito a fazer senão lamentar...
Além do sistema de monitoração, certos exames são realizados nos motores para atestar sua saúde. Alguns deles são até velhos conhecidos nossos. Quando se quer fazer uma inspeção interna no motor sem desmontá-lo, geralmente se usa um endoscópio, semelhante ao que se utiliza na endoscopia (aquele exame chato que enfiam um cano com câmera na ponta goela abaixo para fuçar o estômago). Assim, a equipe pode avaliar algum dano interno, como microfissuras ou outras anomalias que podem gerar uma falha grave. Outro meio de diagóstico, são os raio-X e tomografia computadorizada. Alguns componentes passam por essas avaliações mais detalhadas e não destrutivas para verificar fissuras e trincas ou outros concentradores de tensão ainda em estágio inicial. A diferença é que são métodos de diagóstico menos portáteis que o endoscópio, por isso não são utilizados durante o fim de semana de corrida.
Com a regra de 1 motor por duas corridas as quebras de propulsores estão mais raras. Isso porque as equipes tiveram que investir em projetos mais robustos e confiáveis que os de antigamente, o que acarretou em motores projetados para aguentar mais tempo. Mesmo assim, vez ou outra vemos o motor de muita gente abrindo o bico por aí... Por isso, é bom as equipes manterem os olhos abertos em Monza, onde os excessos no acelerador podem ter graves consequências.



domingo, 7 de setembro de 2008

GP da Bélgica - Corrida não termina na bandeirada...


Quando amanheceu no circuito de Spa-Francorchamps, a única certeza que se tinha era a de que a chuva iria cair em algum momento do dia. E ela veio na forma de uma garoa leve, que fez com que a pista ficasse úmida mas não totalmente molhada para o início do GP da Bélgica. Ingrediente que por si só já poderia garantir um espetáculo dominical na pista belga. Muitas dúvidas pairavam no ar: Hamilton partiria da pole para uma vitória facil? Massa arriscaria tudo na largada? Kovalainen daria uma de fiel escudeiro para cima das Ferrari? Raikkonen conseguiria manter sua boa fama em Spa? Com a largada, algumas dessas dúvidas foram sanadas, outras só foram esclarecidas longe dos olhos dos torcedores e da imprensa.


  • A corrida começou com uma largada espetacular de Kimi Raikkonen. O finlandês aproveitou a saída para tracionar o que podia e roubar a posição de Kovalainen. Em seguida, botou o carro na área de escape da La Source, sempre acelerando muito. Resultado: chegou na Eau Rouge na ponta, deixando Massa e Hamilton a ver navios;

  • Também largaram muito bem Fernando Alonso, que faturou 2 posições e Sebastien Bourdais, que pulou para a 5ª colocação. Como não poderia faltar, o tradicional espalha-espalha de carros na La Source aconteceu novamente, desta vez causado por Bourdais e Kovalainen.

  • A partir daí viu-se a corrida de recuperação de Kovalainen, que saiu ultrapassando a todos, mas parou na forçada de barra em cima de Mark Webber, que resultou em um drive through para o piloto da McLaren. As posições mantiveram-se basicamente as mesmas após a primeira série de pit-stops. Raikkonen liderava de forma confortável, mas sem abrir em relação a Hamilton.

  • Barrichello e Piquet abandonaram a corrida. O primeiro por problemas no câmbio e o segundo bateu após escorregar nas linhas brancas da pista. Enquanto isso, os pilotos da Toro Rosso continuam destacando-se, com Bourdais aparecendo na 5ª colocação.

  • A corrida parecia liquidada e nas mão de Raikkonen quando a chuva começou a cair no miolo do circuito, faltando 3 voltas para o final. O finlandês da Ferrari viu sua corrida tranquila ganhar um desfecho dramático com a aproximação de Lewis Hamilton. O inglês aproveitou seu melhor rendimento na pista molhada e partiu para cima de Raikkonen, que revidou, obrigando Hamilton a passar reto na Bus Stop. O inglês devolveu mais ou menos a posição e retomou a ponta. Nisso a chuva apertou e o que se viu foi um festival de lambanças e rodadas, a pior delas a de Raikkonen que viu sua vitória ir pelo ralo quando chocou-se no muro na penúltima volta.

  • Melhor para Hamilton, que faturou a corrida. Massa, pilotando com o carro quase parado levou sua Ferrari à segunda posição. Heidfeld, que ainda teve tempo de colocar pneus de chuva e voltar ultrapassando todo mundo chegou em 3º.

  • Entretanto, o resultado final da corrida não saiu até as 18 horas locais, quando os comissários decidiram punir Lewis Hamilton em 25 segundos por não ter devolvido a posição de forma efetiva para Raikkonen na penúltima volta. Assim, a vitória caiu no colo de Felipe Massa, Heidfeld herdou a segunda posição e Hamilton teve que se contentar com a 3ª colocação. Alonso, Vettel, Kubica, Bourdais e Glock também pontuaram.

  • Agora apenas 2 pontos separam Massa e Hamilton na disputa pelo título. Raikkonen, em queda livre no campeonato, agora vê Kubica ocpar o terceiro posto na tabela de pilotos.

Marretadas

  • Kovalainen: Tem aparecido bem nos treinos, consegue bons tempos na classificação e larga com frequência nas primeiras filas. Mas ainda sofre um apagão na hora da largada. Quando a gente menos espera, lá está Heikki, remando lutando e lutando muitas posições atrás em relação à que largou. Se tivesse ao menos mantido suas posições de largada, estaria figurando entre os primeiros no campeonato. Mas com essas trapalhadas, passa a corrida inteira trabalhando para ficar longe do pódio;

  • BMW: Não fosse a estratégia e a sorte de colocar pneus de chuva em Heidfeld na penúltima volta, teria passado a brancas nuvens hoje. Spa viu um a BMW sem brilho e que apareceu muito pouco nos 3 dias do GP da Bélgica. Já perdeu o fôlego que mostrou no início da temporada.

  • Williams: tem tido apresentações pífias nesta temporada. É triste ver a Williams de hoje e lembrar dos carros imbatíveis e das novidades incríveis que a equipe inglesa proporcionava anos atrás. Todos esperamos que este não seja um prenúncio do início do fim do time de Woking.

Pontos Positivos:

  • Alonso: resolveu dar o troco após o fim de semana melancólico em Valência. Apareceu bem nos treinos e durante a corrida. Quase alcançou o pódio, que se tivesse chegado, teria sido muito justo. Seria bom ver Fernando Alonso frequentar as primeiras posições novamente e infernizar o Olimpo de Ferrari e McLaren.

  • Toro Rosso: Teve um fim de semana de sonho. Desde o sábado seus carros apareceram bem e entre os primeiros. Bourdais largou muito bem e ficou a corrida quase toda no pelotão da frente. Parecia fazer uma corrida de exibição para segurar seu emprego. Vettel também tirou o máximo de seu carro e mostrou que a Red Bull fez bom negócio em comprá-lo. Dessa forma a Toro Rosso vai feliz para a Itália com um 5º lugar de Vettel e um 7º de Bourdais.

  • Kimi Raikkonen antes da chuva: Mais uma vez mostrava que Spa é território dele. Saiu em uma desacretitada 4ª posição e simplesmente engoliu todo mundo na La Source. Para ele tudo virou pista: grama, área de escape, zebra. Manteve uma liderança tranquila, até a chuva chegar e derreter sua vitória vrtual. Foi uma pena, pela bela largada.

Troféu cata-tatu: Kimi Raikkonen e Lewis Hamilton


Eles vinham de grandes apresentações. Raikkonen fez uma largada maravilhosa como há muito tempo não se via. Hamilton conseguiu uma pole position incrível no sábado e vinha em corrida tranquila, garantindo pontos importantes no campeonato. Até que veio ela, a chuva. E com ela levou o juízo dos dois pilotos. Raikkonen, o Iceman, mostrou que água derrete seu gelo rapidinho. Com isso, permitiu a aproximação de Hamilton. O inglês, por sua vez, novamente deu "pala" na hora do aperto: ao tentar ultrapassar Raikkonen, passou reto a Bus Stop e devolveu a posição ao finlandês na má vontade, pegando o váculo do piloto da Ferrari para ultrapassá-lo de novo. A partir daí, perdemos a conta do tanto de vezes que os dois rodaram e saíram da pista, catando tatus por todos os lados, até que Raikkonen bateu no muro e novamente terminou sem pontos. Sinceramente, esperavamos que eles domassem melhor seus carros a 2 voltas do final, mesmo com a pista molhada.


Troféu F1-V8: Spa-Francorchamps


Somos apaixonadas por esta pista... mesmo que alguém fizesse uma apresentaçao memorável hoje, não tiraria o troféu das mãos de Spa. As curvas de alta, a topografia acidentada, curvas em subida, na descida, o tempo instável. São coisas que apenas Spa tem. E olhem que as reformas na Bus Stop tiraram parte de seu charme inicial, quando ela era feita com o motor quase cortando... A traiçoeira Fagnes e a velocíssima Stavelot testam a capacidade de qualquer piloto. Mas a melhor imagem de Spa é a da subida da Eau Rouge, que parece que o piloto está levantando vôo, pilotando um avião, não um carro. É muito bonito ver os carros totalmente colados na pista, passeando por aquelas curvas a 300 km/h. Que Herman Tilke, o mestre dos circuitos sem graça, nunca bata seus olhos sobre Spa e macule este tesouro do automobilismo que descansa nas florestas da Ardènne...


Perguntas instigantes:: A punição a Hamilton foi justa?

Tudo sobre - GP da Bélgica


O circuito

Nome: Circuit de Spa-Francorchamps
Extensão: 7,004 km
Número de voltas: 44
Pole em 2007: Kimi Raikkonen (1:45.994)
Recorde de volta: 1:45.108 - K Raikkonen (2004)



A F1 finalmente chega à sua pista favorita: Spa-Francorchamps. O circuito situado entre as duas cidades que lhe dão nome, tem a curva mais famosa do automobilismo moderno - a mítica Eau Rouge. Mas a pista guarda outras particularidades. Curvas de alta velocidade, mergulhos, subidas, pontos de ultrapassagem e a ameaça constante de chuva são ingredientes mais que suficientes para garantir excelentes corridas. Não é à toa que Spa-Francorchamps tem o título de pista favorita dos pilotos da F1.

Tecnicamente, Spa é considerada a pista mais completa do calendário. Combina curvas a 320 km/h com chincanes contornadas a baixa velocidade como a Nova Bus Stop. Com essas características mistas, o pessoal de aerodinâmica tem trabalho extra. Para as curvas de alta, um acerto com máximo de downforce seria o ideal. Mas tem-se que levar em consideração os trechos de reta, que não são poucos. Por isso, as equipes optam por um acerto intermediário, onde se pode gerar o máximo de downforce com o mínimo de arrasto. Apesar das curvas de alta, não existem pontos de frenagem que sejam muito críticos. Entretanto, os pneus não têm vida fácil na pista belga. Por isso, a Bridgestone disponibilizará às equipes seus compostos mais rígidos. Quem não terá vida fácil na Bélgica serão os motores. A maior parte dos pilotos entra em ciclo de motor novo para Spa e Monza, duas das pistas mais velozes. Durante uma volta no circuito belga, o piloto chega a passar 72% da volta com o pé embaixo. O trecho em aceleração plena mais longo é o que vai da La Source até a Les Combes, totalizando 23 segundos só acelerando.

Spa-Francorchamps tem diversos pontos da pista que merecem destaque. A começar pela La Source, primeira curva do circuito, que pode complicar a vida de todos durante a largada. Foi nela que em 1998, mais da metade do grid envolveu-se em uma mega batida logo na largada. Os pilotos também têm que icar atentos à Malmedy, que é uma curva traiçoeira, em descida e com frenagem importante. Toda atenção é pouca no contorno da Stavelot, curva tomada à direita a mais de 245 km/h. Entretanto, a grande estrela é a Eau Rouge, que inicia em um mergulho seguido de uma subida que dá a sensação de que os carros vão levantar vôo, culminando com uma saída cega em um plano bem mais alto que o do seu início. Hoje em dia, na era V-8, é feita com pé embaixo mas não deixa de arrepiar pilotos e fãs volta após volta.

Este circuito tem um nome: Kimi Raikkonen. O piloto finlandês venceu simplesmente todas as últimas 3 corridas realizadas ali. Será que ele conseguirá manter a tradição amanhã?

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Corrida só acaba na bandeirada...

Ai as dores do automobilismo. Carro perfeito, manobras geniais, vantagem em relação ao segundo colocado... Até que algo dá errado e o piloto fica a pé nas voltas finais de uma corrida que parecia ganha. Esta foi a dor de Felipe Massa na Hungria. Quando já administrava a vantagem e contava os pontos para a liderança no campeonato... BUM, seu motor Ferrari foi pelos ares! Dor, frustração, sofrimento. Mas, assim como as dores de amor, as dores do automobilismo também passam um dia. E outros grandes nomes das pistas já passaram pela mesma situação. Vamos relembrar alguns desses eventos tão dolorosos e tão marcantes da história da F1. As vitórias garantidas que não aconteceram:
2005 - GP da Europa (Nurburgring)


Kimi Raikkonen seguia tranquilo na liderança do GP da Europa, quando, a 10 voltas do final seu pneu dianteiro direito começou a apresentar um desgaste excessivo. O problema, é que nesta temporada, os pilotos não podiam trocar pneus durante os pit stops. Assim, todos acompanhavam com aflição o pneu deteriorar-se volta após volta, mesmo com Raikkonen tomando todo o cuidado para poupá-lo. Na última volta, o conjunto de suspensão não aguentou a vibração excesiva e todos assistiram o à quebra repentina da suspensão da McLaren do finlandês. A uma volta do final, a liderança caiu no colo de Fernando Alonso que disparou ainda mais no campeonato.

2001 - GP da Espanha (Barcelona)


Michael Schumacher e Mika Hakkinen dividiram a primeira fila no Grande Prêmio da Espanha. Após a largada a corrida seguiu com intensa disputa entre os dois. Após os pit-stops, com um grande trabalho de estratégia e também de Hakkinen, o finlandês assumiu a liderança, deixando Schumacher para trás. Tudo parecia tranquilo, até que, ao abrir a última volta, a McLaren de Hakkinen começou a apresentar problemas no câmbio e se arrastar pelo circuito. Assim, o finlandês viu a sua vitória cair no colo de Schumacher e só conseguiu chegar em 9º.

1984 - GP dos EUA (Dallas)


Sob um calor de 40ºC o inglês Nigel Mansell largou na pole no GP dos Estados Unidos de 1984. Desde o início esta corrida foi atribulada. Devido às altas temperaturas, a corrida foi antecipada para as 11 horas da manhã. E também por causa do clima, o asfalto do circuito de Dallas se desfez antes mesmo da largada. Apesar das condições adversas, os pilotos decidiram correr. Muitos não conseguiram terminar a prova, principalmente devido às condições precárias da pista o que ocasionaou muitos acidentes. Mesmo assim, Mansell seguia na liderança absoluta, pilotando bem e mostrando todo seu talento. Até que, na última curva, o inglês perdeu o controle de sua Lotus e acertou o muro. Mansell não pensou duas vezes. Saltou para fora do carro e o empurrou até cruzar a linha de chegada na 6ª colocação. Depois do esforço sobre-humano, o pobre inglês caiu estatelado no chão, sendo aplaudido de pé pelo público presente. A vitória caiu coincidentemente no colo de Keke Rosberg, finlandês como Heikki Kovalainen.

E aí pessoal, lembram de mais algum infortúnio de líderes nas últimas voltas, corridas dramáticas?? Quem teve mais azar??

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

GP da Hungria: Zebra Finlandesa


Todos os anos é a mesma história. Quando chega o GP da Hungria já esperamos a procissão de carros de F1, andando em fila indiana (ou seria húngara?) por todas as voltas da corrida. Em geral, as emoções ficam reservadas para a largada, quando alguém arrisca uma ultrapassagem. Passadas as primeiras curvas, tudo fica na mesma, até a bandeirada final. Mas será que em 2008, a temporada dos imprevistos, o GP da Hungria seria assim também? Claro que NÃO!

A F1 desembarcou em Hungaroring apostando na superioridade dos carros da McLaren. E não foi difícil para Lewis Hamilton e Heikki Kovalainen confirmarem a dobradinha na primeira fila do grid de largada da corrida deste domingo. Mas o melhor tempo registrado por Felipe Massa durante o Q2, apontava o que o brasileiro e sua Ferrari poderiam aprontar na pista Húngara.
  • Logo na largada Felipe Massa mostrou que poderia acabar com a festa das flechas de prata. Em uma manobra fantástica, aproveitou o fato de estar largando do lado limpo da pista e ganhou a posição de Kovalainen. Assim, conseguiu encostar em Lewis Hamilton e retardando a freada e tomando o traçado externo da curva assumiu a liderança da prova;
  • Com uma largada tranquila, sem muitos incidentes, a prova seguiu monótona. A pasmaceira foi quebrada apenas com os princípios de incêndio nos carros de Bourdais Barrichello e Nakajima.
  • Na volta 41, o imprevisto deu as caras pela primeira vez na corrida: o pneu dianteiro esquerdo de Lewis Hamilton estourou e o inglês perdeu várias posições. Assim, Massa consolidava uma liderança tranquila e sem Hamilton no seu encalce, garantiria a ponta do campeonato se a corrida terminasse naquele momento. Após a troca de pneus, Lewis Hamilton voltou à pista em 10º;
  • Enquanto isso, a Toyota de Timo Glock fazia um bom trabalho e assegurava sua terceira posição. Outro que também estava bem era Nelson Piquet, que se garantia na zona de pontos. Fernando Alonso e Kimi Raikkonen ensaiavam uma briga, porém ninguém arriscava uma ultrapassagem;
  • Quando tudo parecia decidido e a vitória de Massa consolidada, o motor da Ferrari nº2 abriu o bico, deixando o brasileiro na mão a apenas 3 voltas do final. A falha imprevista no motor da Ferrari retirou de Massa a vitória e a liderança no mundial de pilotos;
  • Com isso, a vitória caiu no colo de Heikki Kovalainen, que vinha em segundo lugar. Timo Glock e Kimi Raikkonen completaram o pódio. Fernando Alonso, Hamilton, Piquet, Trulli e Kubica chegaram à zona de pontuação;
  • Com o revira-volta da corrida de hoje, Hamilton segue na liderança com 62 pontos, 5 a mais que Kimi Raikkonen, o vice-líder. Felipe Massa está em terceiro na classificação geral com 54 pontos.

Pontos positivos:

  • Timo Glock: depois do susto na Alemanha, recuperou-se fisicamente e fez uma grande corrida. Mostrou-se forte e sua Toyota teve desempenho consistente. Fez um ótimo tempo no sábado e largou bem no domingo deixando Robert Kubica para trás antes da primeira curva. Na corrida manteve-se bem e resistiu aos ataques de Raikkonen e sua Ferrari. Com os problemas de Massa e Hamilton viu a possibilidade de conquistar seu primeiro pódio chegar e se realizar. Mais um calouro de pódio em 2008.
  • Nelson Piquet e Fernando Alonso: a dupla correu bem hoje. E os méritos nem podem ir todos para a Renault, afinal a única vantagem que a equipe mostrou hoje foi não apresentar problemas mecânicos. Fernando Alonso foi assediado por Raikkonen durante boa parte da corrida e Nelson Piquet defendeu bravamente a posição ao sofrer ataques de Trulli. Resultado? Um terminou em 4º e o outro em 6º.
  • Heikki Kovalainen: Nas últimas corridas parecia que nada dava certo para ele. Largava bem mas na corrida não chegava nem a beliscar o pódio. Com isso, começaram a surgir rumores de que cederia seu lugar na McLaren para Nico Rosberg. Entretanto, na quinta-feira a equipe inglesa desmentiu os boatos e anunciou que Heikki ficaria mais uma temporada por lá. Motivado pela renovação, o finlandês fez uma boa classificação (largou em 2º) e manteve-se bem posicionado durante a corrida. Na hora do imprevisto, a sorte sorriu pra ele e Kovalainen viu a sua 1ª vitória cair do céu direto no seu cockpit. Que sirva de estímulo para apagar as atuações aguadas que ele vinha tendo.

Marretadas:

  • BMW: mais uma vez sofreu apagão aerodinâmico nas pistas travadas. Assim, Kubica e Heidfeld ficaram para trás na Hungria. Com o desempenho pífio de hoje, a BMW perdeu a liderança do mundial para a McLaren. E mais uma vez vê que se seu carro não consegue fazer curva, Kubica não poderá fazer nenhum milagre.
  • Kimi Raikkonen: mais uma das esquisitices do Kimi. Nos treinos classificatórios não tem conseguido bons tempos. Nas corridas fica meio que adormecido, acomodado, morno. Mas de uma hora para outra acorda e resolve correr. Entretanto, muitas vezes, acorda tarde demais para uma reação. Hoje foi assim. Largou em 6º passou 50 voltas dormindo e faltando 8 voltas para o final acordou e começou a atacar Glock. Assim, marcou a volta mais rápida da corrida (já foi a 7ª do ano) e chegou ao pódio. Nas outras corridas, se não acordar antes do sábado, Kimi pode ficar a ver navios nesse campeonato.

Troféu cata-tatu: Injetores de gasolina

Todas as equipes da F1 recebem bicos injetores de combustível fornecidos pelo mesmo fabricante. Esta peça, apesar de não fazer parte do carro, é das mais importantes e pode decidir corridas e campeonatos. Ela é de alta exigência, e é dimensionada para injetar 12kg de combustível por segundo no tanque. Mas hoje, houveram 4 episódios de falha nos pit stops (2 princípios de incêndio na STR de Bourdais e 1 vez com Nakajima e Barrichello). Com as altíssimas temperaturas na pista húngara, vazamentos pequenos produziram labaredas durante os reabastecimentos. É melhor o pessoal ficar de olho, afinal, foram muitas falhas para um dia só!

Troféu F1-V8: Felipe Massa

Merece o prêmio. A largada de hoje, pulando da terceira posição para a ponta, foi fantástica. Quando Hamilton e Kovalainen acordaram, Massa já havia disparado na frente. O brasileiro fazia até então uma de suas melhores apresentações, uma corrida perfeita, limpa, racional. Com os problemas de Hamilton e os apuros de Raikkonen, Massa assumiria folgado a liderança do mundial, o que poderia ser o primeiro passo para o título. Mas, a 3 voltas do final, o brasileiro sentiu o gosto amargo da derrota ao ver seu motor ir pelos ares. Foi de dar dó, mas são coisas que acontecem em corridas de carros. Agora terá que se recuperar e correr atrás do prejuízo na desconhecida pista de Valência.


Perguntas instigantes: Felipe Massa ainda pode sonhar com o título??