sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

GP Brasil 2009: Garanta seu ingresso!!


A ressaca do GP Brasil 2008 ainda nem passou, mas já é preciso pensar na temporada 2009. E foi isso que os organizadores da corrida no Brasil fizeram. Com o intuito de evitar os problemas como a falta de ingressos e o período apertado para parcelar pagamento de entradas, a organização da corrida brasileira resolveu abrir a venda de ingressos em 15 de dezembro (próxima 2ª feira), 10 meses antes do evento, que ocorrerá entre os dias 16 e 18 de outubro do ano que vem.

Assim, os torcedores terão a chance de parcelar suas entradas em até 9 vezes sem juros nos cartões Visa, MasterCard, Amex e Diners. Os preços dos ingressos variam de R$2200,00 (setor E, 3 dias) a R$356,00 (setor G, 2 dias). Ainda não foram divulgadas infromações sobre a venda de meia-entrada para estudantes, professores e idosos. O site oficial é o www.gpbrasil.com.br.

Para quem é marinnheiro de primeira viagem, o setor B na reta e com vista para o grid de largada é o que se esgota mais rapidamente, por isso, quem quiser acompanhar o 38°GP BRasil de Fórmula 1 de lá, vai ter que correr!!

terça-feira, 18 de novembro de 2008

É hora do vestibular!!

Nem FUVEST, nem UNICAMP, muito menos UnB... É hora do vestibular da Honda. A concorrência? Nada dos vertiginosos 124 por vaga dos vestibulares de medicina por aí. Neste caso são só 2 (ou seriam 3?) por vaga. Os personagens, nós conhecemos muito bem: Bruno Senna e Lucas di Grassi. Mas depois de 3 dias de provas exaustivas, quem sairá com a vaga de piloto da Honda e um lugar ao sol no grid da F1? Como competência não é lá o forte da equipe anglo-nipônica, o F1-V8 vai dar uma mãozinha e avaliar os pupilos brasileiros em DIVERSOS critérios para ajudar na escolha...
Lucas di Grassi
Paulista, 24 anos
Experiência
Sua carreira iniciou-se cedo, aos 13 anos no kart, onde permaneceu ganhando títulos importantes de 1997 a 2001. Em 2002 foi vice-campeão da primeira temporada de Fórmula Renault Brasil. O bom desempenho o levou à F-3 sulamericana no ano seguinte. Em 2004 passou a integrar o Programa de Desenvolvimento de pilotos da Renault e participou da F-3 Internacional onde ficou até o final de 2005. Neste mesmo ano teve seu primeiro contato com uma carro de F1. Em 2006 transferiu-se para a GP2. Em 2007, na mesma categoria foi vice-campeão e passou a ser piloto de testes da Renault F1. Em 2008 assumiu mais responsabilidades como piloto de testes da Renault na Fórmula 1 e disputou algumas etapas da GP2. Mesmo não tendo participado de muitas corridas, conseguiu ser o 3º colocado no campeonato.
Talento

É bom acertador de carros, por isso foi o responsável por desenvolver os carros da temporada 2008 da GP2. Di Grassi sempre é elogiado por suas equipes por conseguir fornecer boas informações aos engenheiros e trabalhar bem para retirar a melhor performance do seu bólido.

Conquistas

Alguns títulos no kart e vários vice-campeonatos, entre eles F-Renault, F3 e GP2 (2007). Ainda não tem um título de peso em categorias de base.

Beleza

Físico nota 10!! faz o estilo saradão sem ser bombado...

Motivação

Di Grassi espera pela oportunidade de ser titular na Fórmula 1 desde 2007. E tem trabalhado muito para isso. Nesta temporada esteve presente em todas as corridas, sempre conversando com os engenheiros e observando de perto o trabalho de Piquet e Alonso. Quase foi alçado à categoria de titular durante a má fase de Piquet neste ano. Vem com disposição para fazer um bom trabalho e finalmente assegurar seu lugar no grid...

Arma secreta

Experiência. Passou pelo crivo das principais categorias do automobilismo doméstico e internacional, conhece bem os carros e a tecnologia da Fórmula 1 e isso pode fazer a diferença nos testes desta semana...

Bruno Senna
Paulista, 25 anos
Experiência
Sobrinho do tri-campeão Ayrton Senna, nasceu praticamente dentro de um kart. Mas a morte inesperada de seu tio o arrancaram do mundo das pistas. Entretanto, 10 anos depois, Bruno não aguentou mais esperar e voltou com tudo para os carros. Pulou o tempo de kart e começou disputando algumas provas de F-BMW e F-3 em 2004. Em 2005 correu algumas etapas da F-3 Inglesa. Em 2006 Pilotou pela Raikkonen-Robertson Racing na F-3 conquistando diversas vitórias e bons resultados. Isso deu visibilidade e segurança para dar o próximo passo, GP2 em 2007. Lá venceu corridas logo na temporada de estréia e migrou para a equipe campeã em 2008. Neste ano, disputou a GP2 Asia e Europa, ficando em vice nos dois campeonatos.
Conquistas
A sua carreira curtíssima se resume basicamente e F3 Inglesa e GP2. Neste ano foi vice na GP2 Euroseries e talvez sua maior conquista já tenha sido realizada: estar nas pistas hoje em dia.
Beleza
Faz o tipo paulistinha... branquinho, magrinho... uma gracinha..

Motivação
Está mais do que decidido a realizar seu grande sonho de ir para a F1. Superou o trauma da perda do tio, a inexperiência, a inexistência da escola do kart, o medo da família, a pressão da mídia, a superioridade técnica de outros pilotos... Alguém ainda duvida que ele quer mesmo estar na F1?
Desvantagem
Inferioridade técnica. Senna ainda padece de alguns problemas no cockpit em determinados momentos. Para estar apto à F1 e conseguir resistir a pistas complicadíssimas (como Cingapura, Hungaroring e Interlagos) ainda vai ter que aprender muito. Como se comportar ao largar de trás, livrar-se do embola-embola de largadas, adaptação à condução de um F1 serão pedras na sapatilha dele. Parece que não, mas o kart faz falta em alguns momentos.

Arma Secreta
Capacidade de aprender rápido. Bruno Senna chegou ao automobilismo de monopostos totalmente cru. A cada corrida ele tinha que aprender praticamente tudo. A cada upgrade de categoria também. Depois de voltar a correr, estar às portas da F1 em apenas 5 anos. Claro que o sobrenome o ajudou (e muito!) mas em corridas como o GP de Mônaco desse ano mostraram que ele fez bem a lição de casa.
Veredito F1-V8: Levem di Grassi como titular e coloquem Senna para testar em 2009. Claro que comercialmente, seria interessante para a Honda lançar logo Senna e carregar os louros de ter "devolvido Senna à F1"... Mas com a carroça de 2008 e as mudanças de 2009 ter alguém totalmente inexperiente no cockpit pode levar tudo a perder. Por isso, o nome certo para a vaga de titular em 2009 é o de di Grassi. E é bom a Honda fazer um carro dessa vez. Cozinhar três pilotos talentosos e jovens como Button, diGrassi e Senna e não lhes permitir fazer boas atuações é um pecado capital!
Só ficou chato o fato da Honda não ter adiantado esses planos e permitido que Barrichello tivesse uma despedida no mínimo digna... Mas a Honda nunca faz nada certo mesmo, então fica elas por elas.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

GP do Brasil: A corrida mais difícil da história!!



O Grande Prêmio do Brasil de Fórmula 1 foi mais uma vez marcado pela emoção e pelo drama. Quem não se recorda da decisão de 2007, quando Raikkonen desbancou os favoritos e decolou da terceira posição no campeonato para o título nas últimas voltas da corrida em Interlagos. Em 2008, algumas semelhanças. O palco era o mesmo, Interlagos (agora reformado e com novas instalações). A diferença de pontos entre os líderes também, 7. Mais uma vez Hamilton era personagem principal da decisão, mas dessa vez teria que lutar contra Felipe Massa. Será que desta vez ele repetiria os erros de 2007 e entregaria o título? A única certeza que nós, torcedores tínhamos na cabeça era a de que um campeonato tão movimentado e eletrizante só poderia ter uma decisão dramática. E assim foi, até a última curva das 71 voltas de GP Brasil.

Tudo começou ainda na China. Hamilton e Massa terminaram a corrida separados por 7 pontos. Apesar da vantagem numérica, todos sabiam que Hamilton enfrentaria dificuldades grandes na última prova. A pressão de não repetir a lambança de 2007, a torcida brasileira a favor deMassa, o retrospecto do brasileiro na pista e Interlagos mesmo, circuito muito técnico, à moda antiga, que costuma a castigar alguns pilotos. Foi com esse clima que a F1 desembarcou no Brasil. E a decisão começou a favor de Massa. Uma pole conquistada com um tempo imbatível no sábado. Hamilton, claramente sentindo a pressão da torcida conseguiu apenas o 4º tempo. Com Trulli e Raikkonen entre os líderes, Massa pôde começar a programar-se para conseguir uma vitória e rezar para que Hamilton chegasse de 6º em diante.
O domingo amanheceu com sol forte em Interlagos. Às onze da manhã as arquibancadas já estavam lotadas com uma multidão vermelha que aguardava ansiosa pela decisão. A expectativa de ver um brasileiro ser campeão em casa encheu de esperanças muitos dos que estavam no autódromo. À medida que o tempo passava, nuvens carregadas aproximavam-se de Interlagos. Os boxes foram abertos e quando os carros já estavam alinhados no grid de largada, prontos para a volta de apresentação uma chuva torrencial caiu sobre a pista, fazendo com que a largada fosse atrasada em 10 minutos. As equipes, em pânico, tentavam realizar os últimos ajustes para pista molhada nos carros. Da mesma forma que chegou, a chuva sumiu... Parecia que sua missão era apenas aoimentar ainda mais a corrida e aumentar ainda mais o grau de incerteza na decisão do campeonato. Quando os caros partiram para a volta de apresentação, a pista ainda estava molhada a ponto de levantar spray, mas não tão enxarcada a ponto de utilizar pneus para chuva pesada.


Quando as luzes vermelhas se apagaram, a astenção de todos voltou-se para Hamilton e Massa, os protagonistas do dia. No entanto, foi David Coulthard quem chamou a atenção, rodando e saindo logo na primeira curva, dando um fim melancólico à sua última corrida na F1. Junto com ele também saiu Nelson Piquet, que teve um début um tanto quanto difícil em sua própria casa. Enquanto isso, Massa administrava a liderança, seguido por Trulli e Raikkonen. Alonso que largara muito bem aparecia em quarto e Hamilton em 5º, posição limite para a manutenção de seu título. Durante as primeiras voltas, o SC entrou na pista para garantir a retirada dos carros de Coulthard e Piquet no S do Senna. Isso ajudou aos pilotos, que puderam acostumar-se melhor com o asfalto molhado. Com a relargada, a mioria das posições foram mantidas. Todos mantinham olhso fixos ao 6 primeiros colocados, pois qualquer alteração importante de posição poderia dar o título a qualquer um dos dois

Com as paradas nos boxes, o título alternava de mãos, hora nas mãos de Hamilton, hora nas mãos de Massa. O público parecia anestesiado. Olhos vidrados nos 6 primeiros e também na chuva, que ameaçava cair. Enquanto isso, o destaque ia para Sebastian Vettel, que antes de suas paradas ameaçava Felipe Massa e depois da troca de pneus passou a apertar Lewis Hamilton. Fernando Alonso também fazia excelente corrida, com sua Renault sempre entre os três primeiros. Outro coadjuvante importante foi kimi Raikkonen, que claramente "marcava" Lewis Hamilton e pilotava pelos interesses da Ferrari.
O título parecia estar nas mãos de Hamilton, até que a chuva começou a dar as cartas na corrida a duas voltas do final. A pista que começava a ficar molhada em alguns pontos ficou muito traiçoeira. Então as equipes correram para colocar pneus de chuva. Nisso, começou a brilhar a estrela de Sebastian Vettel, que voava baixo com sua Toro Rosso e a duas voltas do final ultrapassou Hamilton. Interlagos veio abaixo, pois com o inglês em 6º, o título estava nas mãos de Felipe. O brasileiro da Ferrari apertou o pé e cruzou a linha de chegada em primeiro. Mas o título esteve nas suas mãos por apenas 38 segundos, já que na última volta, Timo Glock, que vinha em 4º, não segurou sua Toyota e acabou sendo superado por Vettel e Hamilton. Com a 5ª colocação o inglês da McLaren comemorou o título de pilotos. A Ferrari mais uma vez levou o Mundial de construtores, porém a perda do título para Hamilton deixou um gostinho amargo no triunfo de Massa e de sua equipe em Interlagos.
Em um campeonato tão anômalo em que o acaso dominou muitas corridas, a batalha final só poderia ter sido assim tão emocionante. Hamilton venceu o campeonato de 2008 por apenas um ponto e chegou a perder o título por 2 voltas. Quis o acaso que a decisão tivesse este desfecho. Na temporada mais imprevisível da F1, tivemos a decisão de camapeonato mais difícil da história.

Marretadas
  • BMW: Amarelou de vez. A responsabilidade de ser uma equipe vencedora, que consegue fazer frente à McLaren e Ferrari pesou demais nos ombros do pessoal de Hinwill. Ao invés de servir como motivação, acabou sendo um fardo pesado demais. Parece que por lá o povo gosta mesmo é do grupo do meião. Em Interlagos Kubica e Heidfeld tiveram carros sofríveis e apanharam de Toyota, Toro Rosso e Red Bull;

  • Estratégia da Toyota: Conseguiu dar um carro em condições de largar na primeira fila a Jarno Tulli, que não decepcionou na hora de arrancar uma volta perfeira no sábado. Entretanto, no domingo, acabou vendo seu rendimento minado pela pista em condições instáveis. Erraram feio nas estratégias de parada e fizeram os pilotos padecerem com pneus de seco em pista molhada;

  • Despedida de Coulthard: Está certo que a temporada do esocês foi um tanto quanto conturbada, mas a despedida foi melancólica. Rodar e sair na primeira curva da última corrida foi muito decepcionante. David merecia coisa melhor...

Pontos positivos:

  • Fernando Alonso: Foi o rei do final do campeonato. Desde Cingapura tem pilotado um absurdo, o que se repetiu em Interlagos. Parece sinalizar que ano que vem, não vai deixar a moçada em paz e se postula como candidato ao título de 2009;

  • Sebastian Vettel: Quando a chuva caiu em Interlagos, não teve para ninguém. Mostrou que apesar da pouca idade, sobra em relação aos outros em pista molhada. Se derem a ele um carro competitivo, voltaremos aos tempos de F1 de um piloto só...

  • Lewis Hamilton: é o campeão. E seu título chama-se ousadia e talento. Hamilton tem consciência de que pode arriscar mais que os outros pois domina a tecnica de forma genial. Mas em Interlagos, amarelou. É campeão mas ainda não é completo, pois a vibração e os gritos das arqubancadas em Interlagos o desnortearam no momento mais importante.

Troféu cata-tatu: Timo Glock

Chamem o IBAMA. Este homem é o maior catador de tatu da história!! Multa e cadeia nele, AGORA!! Andou entre os primeiros em Interlagos, tudo ia bem. Mantinha-se à frente de Vettel e Hamilton até que uns pingos de chuva transformaram seu Toyota em abóbora. Glock escorregou, Hamilton passou e foi o campeão. No final das contas, nem Massa nem Hamilton decidiram o campeonato. Glock o fez. E é bom ele guardar este momento na memória. Nunca mais seu nome medíocre estará envolvido numa decisão de campeonato...

Prêmio F1-V8: Felipe Massa

Foi o campeão moral do domingo. Fez a sua parte. Precisava largar na frente de Hamilton e vencer a corrida. Isto ele fez. Massa foi absoluto em uma pista com condições instáveis e que castigou a todos. Com a torcida ao seu lado, tirou forças e comemorou o título por alguns segundos. Saiu de Interlagos sem o título de campeão, mas nas graças do torcedor brasileiro e da crítica internacional. Seu nome, antes ignorado nas listas dos grandes pilotos em atividade, agora pode ser escrito ao lado de Alonso, Raikkonen, Hamilton e Kubica. O Massa que venceu em Interlagos não se assemelha nem de longe com o mesmo que rodou na Malásia e teve o emprego ameaçado. Certamente foi o piloto que mais evoluiu em 2008 e isto fica evidente em suas atitudes dentro e fora da pista. Teve paciência o suficiente para dividir as atenções com o atual campeão Kimi Raikkonen, com quem teve uma relação de trabalho profissional e justa. Como prêmio de consolação, comemora o título de construtores com a Ferrari e tem consciência que atingiu um novo patamar em sua pilotagem, o que pode levá-lo a um título mundial nas próximas temporadas.

Perguntas Instigantes:

Hamilton, Alonso, Massa, Raikkonen, Kubica, Vettel... seria esta a geração mais frutuosa da F1?

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Red Bull F1 em Brasília - parte IV



Depois das emoções do GP da China, vams terminar nosso relato sobre o dia da Red Bull em Brasília. Lá se vão 2 semanas, mas às vesperas do GP Brasil de F1 esse encontro com um carro da categoria tornou-se ainda mais especial.
Na parte III terminamos o relato do evento oficial, que foi um arraso! A Praça dos Três Poderes, infelizmente famosa pelos escândalos de políticos que lá trabalham e não honram nossos votos, ganhou um companheiro com contornos à sua altura: linhas arrojadas, modernas e geniais. Depois de praticamente torrar no típico sol do Planalto Central, forçamos um convite (graças à Tathy Akemi e Ana Luísa!!) para o dono da equipe para realizarmos uma visita à sede da Amir Nasr Red Bull, local de repouso do carro da Red Bull em Brasília.
Convite feito, tivemos tempo apenas de engolir um almoço de qualquer coisa, comprar pilhas para as câmeras e partirmos rumo ao autódromo. Lá, na sede da equipe fomos recebidos pelo engenheiro Fabiano Archer, que nos deixou bem à vontade para observarmos o trabalho dos mecânicos da Red Bull.
Este foi um dos melhores momentos. Após a apresentação, a "fera" foi totalmente revisada. Eles olham tudo: câmbio, motor, freios... trocam óleos, retiram combustível, repõem fluido de freio. Tudo isso para deixar a máquina prontinha para a apresentação seguinte, em Buenos Aires. Quando chegamos, o carro estava sem o Bodywork e os mecânicos revisavam a parte traseira do carro: câmbio, amortecedores, suspensão. Algo que nos impressionou foi a sincronia dos mecânicos no trabalho e também a organização. Os armários de ferramentas são totalmente organizados, cada coisa em seu lugar. Cada chave, cada parafuso, cada instrumento de medição tem seu lugar e gaveta específicos. Nem um fio de vabelo pode ser guardado no lugar errado. Muito diferente dos meus tempos de Fórmua SAE, quando as ferramentas pareciam ter pernas e asas. Elas simplesmente decolavam, saiam correndo e desapareciam. Só quem não sumia era a "sexta-feira" uma marreta totalmente essencial durante a construção do nosso carro. Essa ferramenta era disputada a tapas nas nossas intermináveis noites fazendo um carro de corrida. (Outro dia conto direito esta história...)

A equipe de mecânicos é bem sincronizada, cada um tem sua função definida e desempenha seu papel com rapidez. À primeira vista eles nos pareceram um pouco pedantes e modorrentos. Não olham na cara de ninguém e pouco falam uns com os outros. E, é claro, estranham as caras de bobos que nós, amantes de Fórmula 1, fazemos diante do carro. O trabalho segue rápido, eficaz e limpo. Olhando as fotos, a nossa irmã mais velha (a F1-V8 master) disse que nem seu instrumental cirúrgico é tão organizado... Em poucos minutos, todo o trem traseiro está revisado e montado. Mais alguns instantes, os freios estão revisados e o fluido está reposto. E nóss, fotografando tudo, que nem japonês de férias.


Até que percebemos uma certa movimentação. Os mecânicos recolocaram o óleo no motor, colocaram um pouco de gasolina. Pegaram o bastão de dar partida... ELES IRIAM LIGAR O MOTOR!!!! Terror e pânico!! Todos nós sacamos câmeras, celulares e o que mais fosse possível para registrar este momento único! Quando deram a partida no motor... Bom, o video exolica melhor que qualquer palavra:


I-N-C-R-I-V-E-L!!! O motor Renault falou alto e arrepiou todo mundo... (detalhe das línguas de fogo saindo do escapamento...) Já fui em GP ao vivo, mas estar ali, de pertinho, sentindo o barulho da máquina voi de matar!! No final só não fizemos Uhhuuuu e aplaudimos porque o mico seria grande demais!

A partir daí, rapidinho eles finalizaram a revisão e montaram o carro novamente. E observando que estávamos completamente sedentos por fotos do carro, nos deixaram com a máquina enquanto terminavam de arrumar as ferramentas para a viagem. Foi como entregar farofa para esfomeados!! Rapidamente estávamos todos nós, fotografando babando o carro (sem sujar nada, é claro, pois eles deixaram o carro tinindo de limpo!!). Acho que juntos, tiramos umas 1000 fotos. De todos os ângulos, todas as poses, com todas as combinações de pessoas! Ficamos lá uns 40 minutos, só fotografando, olhando, babando ...

Algum tempo depois foi a hora da despedida... Os mecânicos fizeram o roll out do carro e lá se foi nosso objeto de desejo rumo à Argentina...

No final, a Anna Paula deu a melhor definição para o nosso sábado com a Red Bull... "Foi o presente de dia das crianças que sempre pedimos para o Papai do Céu, né??"

Equipe F1-V8 e a máquina
** Agradecimentos: ao amigos Anna Paula, Ana Luísa, Tathy, Jana e Rodrigo por compartilharem a aventura. (agora oficialmente colaboradores do F1-V8) Ao Amir Nasr e Eng. Fabiano Archer pela gentileza e disponibilidade.

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

GP da China: Hamilton em vantagem


A penúltima corrida da Fórmula 1 em 2008 já guardava o suspense. Ou daria nome ao campeão de 2008 ou erolaria mais a situação no campeonato e teríamos uma decisão na última etapa. A chegada à China não foi das mais tranquilas. Ainda sofrendo de uma certa ressaca do GP do Japão, os pilotos mostravam claro descontentamento com as atitudes de Lewis Hamilton em pista. Por isso, essa corrida ganhou ares de "todos contra um" e o que praticamente nenhum piloto (e fãs brasileiros) queriam ver era o inglês sagrando-se campeão por antecipação.
Apesar da torcida contra, Hamilton cumpriu o seu papel. Fez os melhores tempos nos treinos livres de sexta e no sábado conseguiu bater Felipe Massa e largar na pole. Ao brasileiro restou contentar-se com a 2ª fila do grid. O prognóstico era dos melhores para Hamilton, entretanto, tanto ele quanto Massa tiveram que fazer corridas seguras, pois qualquer erro significaria entregar o caneco de mão beijada para o outro. Assim, ninguém arricou muito em Xangai:
  • Todos esperavam tempo chuvoso para o domingo, assim como ocorreu no ano passado. Entretanto, apenas uma densa camada de fog típico chinês pairou sobre o autódromo. Ainda assim, as equipes ficaram de sobreaviso, esperando uma chuva que não veio;

  • A largada estampava o mesmo cenário do Japão. Hamilton e Raikkonen disputando a ponta. Havia toda a expectativa para saber se os dois se enrolariam novamente, mas tudo correu bem, com Hamilton assumindo a ponta e abrindo vantagem em relação a Raikkonen e Massa;

  • Nas primeiras voltas o destaque da prova ficou com a dura disputa entre Alonso e Kovalainen. O espanhou não dava folga ao piloto da McLaren, arriscando tudo e conseguindo a ultrapassagem de forma sensacional, pelo lado de fora da curva, sem chances de troco para o finlandês. O único acidente na largada (sem a presença de Coulthard) foi o choque entre Trulli e Bourdais;

  • Enquanto isso, lá na frente Hamilton abria boa vantagem em relação às Ferrari. Raikkonen e Massa só conseguiram andar na balada do inglês quando ficaram mais leves, próximos às paradas para reabastecimento. Com tanque cheio, o rendimento de Raikkonen e Massa era visivelmente inferior;

  • A partir daí a corrida virou um carrossel de carros de F1. Com poucos pontos de utrapassagens e curvas em formato de caracol, ninguém conseguia encostar em ninguém. As alterações de posições aconteceram somente por estratégias diferenciadas que deram certo, como no caso de Timo Glock.

  • Com posições ainda inalteradas, foi a vez da Ferrari fazer valer seu jogo de equipe. A partir do segundo pit stop, Raikkonen levantou o pé e permitiu que Felipe Massa encostasse e realizasse a ultrapassagem para ganhar o segundo lugar. Assim, os três primeiros receberam a bandeirada. Acompanhados de Alonso, Heidfeld, Kubica, Glock e Piquet.

  • Com o resultado, o mundial será decidido no Brasil daqui a 2 semanas. Felipe Massa está a 7 pontos de Lewis Hamilton, que com apenas uma 5ª posição pode garantir o caneco. Contam a favor do inglês a vantagem em pontos e também o fato de que a McLaren tem apresentado um carro com excelente desempenho. Contudo, Massa terá a vantagem de correr em casa, com torcida a favor e não se pode esquecer que Raikkonen tirou a mesma diferença em 2007 e foi o campeão.
Marretadas
  • Corrida: esta foi de matar de sono. Depois de uma sequência de provas eletrizantes e surpreendentes que colocaram fogo no Mundial, o GP da China foi um balde de água fria. A pista larga com aquelas curvas parabolóides e caracolóides matam qualquer um de tédio. Até a forma com que os pilotos estavam guiando dava a impressão de que eles também estavam entediados;
  • Kovalainen: Mais uma vez o fnlnadês deixou a desejar. Heikki tem mostrado um desempenho muito fraco, com atuações apagadas, piores até que em seu ano de estréia. Algumas vezes mostra lances de habilidade, entretanto parece sofrer do mal que assolou Raikkonen durante boa parte do ano. Ontem, sofreu com um pneu estourado e um motor em pane, mas já não fazia grande corrida. Kova tem talento, mas precisa ainda de motivação;
  • Ferrari: não soube entregar um carro à altura do desafio que tem pela frente. Enuanto conjunto e projeto o F2008 é claramente superior à McLaren. Entretanto, nem Massa nem Raikkonen, dois grandes pilotos têm conseguido explorar tudo de seu bólido. Na China, os carrinho vermelhos sofreram com instabilidade em frenagem e com tanque cheio. Padeceram por cinqenta e tantas voltas e nem fizeram sombra para Hamilton. Se não corrigirem esses problemas, nem precisam aparecer pra correr no dia 2 de novembro...
Pontos Positivos
  • Alonso: é o nome do fim da temporada. Marcou mais pontos que os líderes desde o GP de Valência e tem feito grandes atuações. Mostrou que, mesmo sem disputar o título ainda é o piloto mais completo na pista. A ultrapassagem sobre Kovalainen na primeira volta foi o grnade lance do GP da China;

  • McLaren: fez a lição de casa e entregou um carro redondinho nas mãos de Hamilton e Kovalainen. Tanto que o inglês não teve adversários na corrida e Kova quase ficou com a pole position no sábado. Vai apostar tudo em Interlagos e jogará todas as suas fichas no GP do Brasil;

  • Massa x Raikkonen: são a dupla que mais dá certo na F1, com certeza. Podem até não ser os melhores amigos, mas são leais um com o outro. Raikkonen, apesar de negar até a morte, não esqueceu o favor recebido de Felipe para a conquista de seu título em 2007 e tem feito um papel de escudeiro até maior do que se esperava dele. Já Felipe Massa tem o privilégio de contar com um escudeiro campeão do mundo. A troca de posições realizada na China mostra que a dupla está afinada. Nessas horas, pensamos: e se no lugar de Raikkonnen estivesse Alonso????

Troféu cata-tatu: BMW
pode até soar meio forte a indicação deste prêmio à BMW, mas é válida. Geralmente reclamamos que Kimi Raikkonen é acostumado a dormir nas corridas, mas desta vez temos que reconhecer que a BMW bobeou em muitos lances em 2008. Não fazendo as trapalhadas da Ferrari, mas pelo fato de não ter acreditado que poderia realmente desempenhar o papel de 2ª força na categoria. A atuação da equipe pareceu em alguns momentos apática e sem vontade, como se as chances de Kubica conquistar o título, apesar de remotas, não fossem reais. Faltou luta à BMW, faltou sangue para corrigir algumas falhas pequenas, faltou colocar a faca nos dentes e correr atrás dos pontos. A frieza alemã acabou apagando as chances de brilhar de verdade.

Prêmio F1-V8: Lewis Hamilton
Teve atuação impecável na corrida e também em todo o fim de semana. Mostrou que está focado para conquistar o título e deixar para trás os erros do ano passado e do início desta temporada. Correu sozinho na China e agora está com 1 mão e 2 dedos na taça de campeão do mundo. Mas, mesmo que ganhe em Interlagos, para provar que é um piloto completo, ainda precisa aprender a interagir com outros carros na pista, sem fazer bobagens ou estragando a corrida alheia.

Dúvidas pertinentes:

Felipe Massa ou Lewis Hamilton??


quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Red Bull F1 em Brasília - parte III


Passadas as movimentações do GP do Japão de Fórmula 1, é dia de (finalmente) falar do sábado em que os políticos do Congresso Nacional e seus escândalos cederam lugar para um motor Renault V-10 escandaloso que levou nada menos que 85mil brasilienses ao delírio!

O dia começou cedo. Depois de acompanhar o treino classificatório cochilando (misturando sonho, pesadelo e realidade), despertamos antes do sol nascer e rumamos para a Esplanada do Ministérios. Quando chegamos lá, foi bom ver que já estava tudo pronto. Uma arquibancada montada para os VIP's (em Brasília, até fila de banheiro de rodoviária tem um camarote VIP), as marcações de curva no circuito, as grades separando o público da pista. Estávamos andando pelo gramado, encontrando os amigos que estariam lá com certeza (Jana, nossa irmã postiça que foi com a gente, Fabrício, e família Dias - autoentitulados parentes mineiros de um certo Fernando Alonso Díaz...). Ainda discutindo onde seria a melhor posição para acompanhar a "passagem" da máquina da Red Bull, avistamos uma tenda com um monte de gente aglomerada e com os queixos caídos. Pelas expressões, soubemos que a "máquina" só poderia estar por lá. Foi emocionante ver o F1 tão de pertinho e os mecânicos trabalhando no carro para mandá-lo à pista. Ao lado, os carros da Stock Car que também desfilariam no Eixo Monumental. Demos sorte, pois poucos minutos depois ligaram o motor e ouvir o ronco do V-10 da Renault de 2006 foi de arrepiar! (o vídeo será postado aqui em breve!).














Este foi apenas um aperitivo do que ainda estava por vir!! Para não morrermos de ansiedade, decidimos passear pela Esplanada, afinal, passamos por lá quase todos os dias e ficar imaginanado que nesta pista onde pegamos cotidianamente engarrafamentos chatinhos (em Brasília as avenidas são largas e o trânsito ainda flui) um carro de Fórmula 1 rasgaria as retas sem fim da capital. As pessoas chegavam e percebíamos algo que é comum nos brasilienses: a paixão pela velocidade.










Foto city tour, uma briga de "touras" e equipe F1-V8 no centro do poder!


Até o Super-Homem apareceu por aqui!

O evento iniciou-se com um desfile dos motociclistas de Brasília (se soubesse, teria descolado uma moto e ido também). Eles nem conseguiam desenvolver velocidade, pois tinha uns 123589874416 de motos desfilando (aqui vendem-se como se vende água). Em seguida, foi a vez dos carros antigos tomarem conta do circuito. Tinha até um Puma GT Rosa (lembrei do Ron Groo e de sua “amizade” com o Nico Rosberg). Passado esse momento, tensão cresceu e foi a vez dos carros de Stock da Amir Nasr Red Bull levantarem o público já impaciente para o encontro com o carro da F1.


Carro do Nico...

Enquanto o Robert Dickens não assumia o controle de seu Red Bull, recebemos uma ligação de casa. Era a nossa mãe, perguntando pelo trecho de descida que liga o Congresso Nacional e a Praça dos Três Poderes. Ela estava preocupada com a manutenção do seu “recorde” no trecho. Bom, eu explico. Em 1978, meses após tirar a carteira de motorista, antes das fiscalizações eletrônicas dos “pardais” e das severas leis de velocidade nas cidades, nossa Mamãe resolveu dar um passeio com sua recém-comprada Caravan (fruto de anos e anos de economia dela e do nosso pai). Caravan na mão, acelerador macio, a mamãe empolgou-se com as retas, colocou 140km/h na bichinha, não conseguiu frear antes da descida e foi com tudo rumo à Praça dos Três Poderes. Depois do susto, ficou o orgulho de ter passado dos 140 km/h no meio da cidade (ainda hoje me pergunto como uma mãe de uma filha de 2 anos faz um serviço desses!) Depois de ouvir MUITO do meu pai (que também estava no carro com a nossa irmã mais velha no colo), ela saiu por se vangloriando dos seus feitos automobilísticos. No dia da apresentação da Red Bull ela estava arrasada, pois sabia que sua marca de 30 anos seria finalmente superada!

E não demorou pouco para a máquina ir para a pista. Logo escutamos aquele barulhinho familiar rasgando a Esplanada! Em um piscar de olhos o carro já estava na descida para a Praça dos Três Poderes. O povo gritava extasiado! Escutamos só o barulho das reduções e logo vinha ele, subindo no sentido contrário e passando bem na nossa frente! Incrível! Maravilhoso! As pessoas gritavam, pediam os famosos zerinhos! E lá se foi o carro, para mais uma volta!






Foto: Janaína Rosa

Ao todo, foram 10 passagens pelo circuito improvisado. Com direito até a escolta dos carros da Stock Car... Era máquina para ninguém botar defeito! Ficamos em um ponto perto do posto da imprensa, em frente ao Congresso Nacional, lugar propício para paradinhas estratégicas e os famosos “burn-out” dos pneus. Na última volta, Robert Dickens arriscou os zerinhos, levando a galera ao delírio!!

Foto: Janaína Rosa


As grades não foram suficientes para segurar a empolgação do povão, que invadiu a pista e recebeu o jovem piloto do Canadá como um verdadeiro ídolo! (Pela cara dele, percebe-se que ele mal acreditava no que estava acontecendo)...

Nesta hora, encontramos duas amigas da Engenharia Mecânica: Tathy e Ana Luísa. As duas, mais empolgadas que todo mundo, foram, juntamente com a Jana, colaboradoras chave na realização deste especial no blog. Jana contribuiu com suas fotos e animação. Tathy e Ana com seu networking, já que tiveram “as caras” de chamar o Amir Nasr em pessoa e perguntar se ele lembrava de nós dos tempos em que participamos da construção do nosso modelo de Formula-SAE (manufaturado no galpão ao lado da sede da Amir Nasr Racing). Ele foi bem receptivo e sem deixá-lo respirar, a Tahty disparou: o carro da Red Bull está na sede da sua equipe? A gente pode passar lá hoje? Meio sem ter o que responder ele disse que sim, então seguimos felizes e contentes para o presente de dia das crianças que todas nós pedimos a Deus!!!

Bom, mas isso é assunto para o próximo post! Esperem, as fotos e vídeos são de arrepiar!!

domingo, 12 de outubro de 2008

GP do Japão: Alonso brilha outra vez


A Fórmula 1 chegou ao Japão na expectativa de definição no Mundial de pilotos. Após o apagão sofrido pela Ferrari no GP de Cingapura, Lewis Hamilton teria agora a chance de ampliar a vantagem sobre o Felipe Massa. E começou muito bem, garantindo a pole possition e vendo o brasileiro largar apenas na 3ª fila. Entretanto, esta foi a vez de Hamilton padecer no limbo das trapalhadas 2008...
  • A previsão de chuva forte não se concretizou. Apesar do tempo frio e encoberto, os pilotos não precisaram enfrentar o dilúvio de 2007, quando mal conseguíamos enxergar as imagens transmitidas pela TV;
  • A largada foi um tanto quanto atribulada para os ponteiros. Hamilton foi ultrapassado por Raikkonen, com quem dividia a primeira fila. O finlandês, que não tinha nada a perder, foi agressivo, acelerou tudo o que pode e conseguiu assumir a liderança, mas antes mesmo da primeira curva, foi travado por Hamilton e acabou caindo muitas posições;
  • O inglês , no entanto, não conseguiu manter-se na pista e acabou perdendo posições assim como Massa. Kubica e Alonso mantiveram a aceleração e assumiram a liderança da prova, seguidos de Kovalainen que na volta 16 teve problemas de motor e abandonou;
  • Um duelo direto entre os líderes do campeonato aconteceu logo na 2ª volta. Hamilton e Massa se encontraram na pista, disputando a 7ª colocação. O resultado não foi bom para nenhum dos dois: na manobra de ultrapassagem, Massa colocou metade do carro fora da pista e acabou tocando Hamilton que rodou e voltou na última colocação;
  • Logo em seguida, os comissários da FIA começaram a trabalhar. Drive through para Hamilton por ter cortado Raikkonen na largada e para Massa, por ter espremido Hamilton a curva 11 da segunda volta. Assim, os ponteiros do campeonato saíam definitivamente da zona de pontuação;
  • Com tantas movimentações e estratégias diferenciadas de pit-stops, vários pilotos se revezaram na liderança. Com a parada de reabastecimento de Robert Kubica e Alonso, Trulli, Piquet e até Bourdais chegaram a liderar o GP do Japão. No pelotão de "pelada de F1", Massa e Hamilton tentavam tirar o prejuízo sofrendo para ultrapassar Button, Barrichello, Fisichella & Cia;
  • Após o reestabelecimento das posições, eis que aparece Fernando Alonso na ponta. O espanhol conseguiu tirar a diferença para o líder Kubica durante sua parada e liderou a prova de forma soberana. Massa, em sua perseguição à zona de pontuação, acabou envolvendo-se em um incidente com Bourdais e quase acabou com sua corrida. Enquanto isso, Nelson Piquet tirava proveito de sua estratégia diferenciada e figurava entre os 5 primeiros;
  • Alonso levou a bandeirada em primeiro, confirmando sua boa fase. Robert Kubica cruzou a linha de chegada em 2º seguido por Kimi Raikkonen. Nelson Piquet viu sua boa atuação render-lhe a 4ª colocação. Após punição de Bourdais pelo incidente com Massa, a zona de pontuação foi completada por Trulli, Vettel, Massa e Webber. Hamilton chegou apenas na 12ª colocação.
  • Agora a siituação do campeonato está ainda mais apertada. Hamilton e Massa estão separados por 5 pontos. Kubica ainda tem chances remotas e está a 12 pontos do líder. Ao que tudo indica, o sonho de Massa de trazer a decisão para o Brasil ainda está de pé.

Marretadas

  • Hamilton x Massa: a decisão do campeonato pesou para os dois. Cometeram erros infantis por pura afobação. Tiveram oportunidades incríveis de jogar o campeonato fora por bobagens e estão sendo ofuscados nessas últimas corridas pela estrela de Fernando Alonso. Sorte a deles que nem o espanhol, nem Raikkonen estão com pontos suficientes para ameaçá-los. Se continuarem assim, ainda podem ser surpreendidos por Kubica.

  • Honda: aparece cada vez mais capenga e ainda se acha no direito de fazer charme para anunciar seu pilotos em 2009. A equipe japonesa tem nome, gente e dinheiro para fazer um carro, no mínimo, decente. Mas não o faz. E ainda quer fazer doce na hora de escolher entre Barrichello e Senna. Ninguém merece.

  • McLaren: não foi o dia deles em Fuji. Após a boa apresentação nos treinos de sexta e sábado, o caldo desandou no domingo. Hamilton atrapalhou-se e foi punido. Já Kovalainen sofreu o primeiro problema mecânico nda equipe na temporada e ficou a pé. A Ferrari aproveitou a deixa e reassumiu a liderança do Mundial de construtoores.

Pontos positivos:

  • Renault: parece acordar de um pesadelo. Após um início de temporada desastroso, com um carro visivelmente fraco, a equipe francesa começa a reagir e mostrar uma certa evolução em corridas. Venceu sua segunda prova consecutiva e hoje ainda viu Nelson Piquet terminar bem a corrida graças à uma estratégia sob medida para as suas condições. Apesar do bom resultado, o brasileiro continua com a corda no pescoço e tendo pesadelos diários com Lucas di Grassi e Romain Grosjean que são cotados para substituí-lo.

  • Kimi Raikkonen: após 4 corridas de infortúnios, Raikonen finalmente fez boa apresentação. Largou na frente e fez ótima saída antes de ser cortado por Hamilton. Andou forte a corrida inteira e descolou um pódio. Mas ainda parece apático em certos momentos, como por exemplo, quando duelou com Kubica pela 2ª posição.

  • Robert Kubica: mais uma vez foi constante e pilotou de forma consciente. Se a BMW demonstrasse que acredita firmemente nas possibilidades do polonês no campeonato, ele poderia dar mais trabalho a Hamilton e Massa na disputa pela liderança. Mas o que se vê é uma BMW apática e que luta "maios ou menos" pelo campeonato. Talvez seja pelo fato de que se Kubica sagrar-se campeão, terão que aumentar o salário do moço, que em termos de F1 é uma miséria.

Troféu cata-tatu: David Coulthard

Mais uma vez, David envolveu-se em uma confusão durante a corrida. Desta vez enroscou-se com Nakajima logo na largada. Resultado? Rodada, carros fora da pista, asa dianteira voando e pancada no muro. Pouco importa de quem foi a culpa. O mais importante é que novamente o escocês se envolveu em um acidente, já foram inúmeros nesta temporada. Os comissários nem punem Coulthard mais, ele é uma espécie de "café-com leite". Sinceramente, achamos que David merecia um fim de carreira menos melancólico.

Prêmio F1-v8: Fernando Alonso

Pela segunda vez consecutiva Fernando Alonso subiu ao alto do pódio. E dessa vez a vitória não foi conquistada por infortúnio alheio. O espanhol largou em boa posição e manteve-se sempre entre os primeiros. Graças à uma boa estratégia de paradas nos boxes, conseguiu roubar a posição de Kubica. Mais uma vez Alonso teve uma apresentação impecável, andando livre e solto na liderança, ofuscando Hamilton e Massa no final do campeonato. Neste momento, os pilotos da Ferrari e McLaren devem estar agradecendo o fato de Fernando não ter um carro competitivo em suas mãos, caso contrário, a história do campeonato estaria um pouco diferente.

Perguntas instigantes:

"Os resultados de Alonso são condizentes com a evolução do carro da Renault?"

"As punições a Hamilton e Massa foram justas?"

sábado, 11 de outubro de 2008

Red Bul F1 em Brasília - parte II

Um sábado para guardar na memória e contar para os netinhos. Fórmula 1 na nossa cidade, fanáticos por automobilismo indo à loucura, burn-outs, zerinhos em frente ao Congresso Nacional, ouvir a saúde do motor V-10 Renault de pertinho e no final, para completar, uma visita exclusivíssima do F1-v8 & colaboradores à sede da equipe de Stock Car Amir Nasr, a casa da máquina em Brasília. Fora isso, mais de 800 fotos de todos os ângulos possíveis e imagináveis de um carro de F1... E vídeos-surpresa do evento, que os levarão à loucura!

Aguardem, nossa primeira cobertura in-loco não vai decepecionar ninguém...

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Red Bull em Brasília parte I

Pois é pessoal, como prometido o carro da Red Bull já está em Brasília!
E, como não poderia ser diferente, nós já estamos seguindo o bólido em suas apariçoes pela cidade.
Ontem, ele esteve exposto durante todo o dia em um Shopping aqui de Brasília, o Conjunto Nacional. Obviamente, chegamos antes da abertura do Shopping para o público, para escapar do tumulto que foi o restante do dia e conseguimos algumas fotos (desculpem pela qualidade, mas fomos pegas de surpresa e fotografamos com as câmeras dos celulares):


O mais interessante nestes eventos é a reação das pessoas diante de um carro da Fórmula 1! Todos queriam fotografar e serem fotografados perto dele. As pessoas já nem estavam ligando se chegariam atrasadas ao trabalho ou não, o que elas queriam era tirar uma "casquinha" do carro da RBR. Obviamente Giselle e eu fizemos o mesmo, afinal, esta talez será a única chance que teremos de vê-lo tão de pertinho...
Hoje será realizado um shakedown no autódromo Nelson Piquet para comemorar os 34 anos da única corrida de Fórmula 1 realizada em Brasília. O modelo da RBR ano 2007, será pilotado pelo canadense Robert Wickens. Hoje à tarde tentarei dar uma "fugida básica" da palestra de métodos estocásticos (afffffff) e partirei rumo ao autódromo para tentar ver mais alguma coisa e quem sabe ouvir a saúde do motor Renault. Se a entrada não for permitida, darei um jeitinho e imitarei meu pai que furou um buraco na grade do autódromo para assistir à vitória de Fittipaldi aqui em 1974! Já a Giselle nem vai precisar de tanta aventura. Ela trabalha no 13º andar em um prédio vizinho ao circuito. Se colar na janela e esticar o pescoço terá vista panorâmica do treino da Red Bull...
Para amanhã a expectativa é grande e espero que a Red Bull tenha armado um grande espetáculo. Partiremos rumo à Catedral logo após o treino classificatório do GP do Japão, para garantir um bom lugar!

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

F1 2009: o carro frankenstein


Saiu hoje no site oficial da Fórmula 1. O tão badalado Overtaking Working Group (Grupo de Trabalho de ultrapassagem), que reúne os bam bam bams da aerodinâmica da Ferrari, McLaren e Renault finalizou seus trabalhos e apareceu com novidades para facilitar as manobras de ultrapassagem em 2009. O visual dos carros, é claro, vai mudar completamente. Os trabalhos do grupo foram realizados após testes de simulação numérica (CFD) e no túnel de vento. Assim, chegaram à conclusão que para ultrapassar na F1 hoje o carro de trás tem que estar pelo menos 2 segundos mais veloz que o da frente. O intuito era reduzir esta diferença de tempo entre dois carros e para isso, foram sugeridas as alterações:

1) A asa traseira vai ficar mais estreita. Esqueçam os belos carros com traseiras bonitas e pomposas. Eles terão no máximo uma asinha pequena para diminuir sua influência na corrente de ar

2)A asa dianteira será bem maior e terá ângulo de ataque ajustável pelo piloto, que apertará um botão no volante para regular a variação da asa (em até 6º no total). Porém essa operação o poderá ser realizada no máximo 2 vezes por volta;

3) Todos os aparatos e penduricalhos que vimos este ano (defletores, chaminés, bigornas, orelhas de dumbo, orelhas de coelho, chifres) serão banidos.

Os carros ficarão plasticamente mais feios, entretanto os resultados de simulações numéricas no computador mostram que essas alterações irão melhorar as condições para ultrapassagens. Agora, o que certamente mudará será a forma de pilotar. Os modelos de 2009 serão muito mais complexos. A nova regra dos pneus, o KERS e a asa móvel adicionarão um grau de dificuldade maior na manobra dos carros. Serão botões a mais no volante e muitos fatores que influenciarão nos resultados da pista.

Fora que a F1 dá as boas vindas à aerodinâmica móvel (meu tema de mestrado, à propósito!!). Por isso, nós do blog F1-V8 estamos preparando um especial de férias sobre todos os temas técnicos que devem esquentar nossas discussões ano que vem (aerodinâmica de carros de corrida, aerodinâmica móvel, KERS, CFD, túnel de vento, processos de fabricação, concepção de projetos etc, etc, etc)... Vamos tentar entender esses frankensteins que vão para a pista em 2009!

Raikkonen, o bode expiatório


Após a série bizarra de erros da equipe, a Ferrari parece respirar aliviada. Não, nenhum resultado foi retificado e a equipe italiana ganhou pontos perdidos... O caso se trata de uma das "verdades" mais antigas que existem no mundo da Engenharia (e em outros mundos também): Errar é humano, colocar a culpa em alguém é divino!

E foi o que não demorou a acontecer. Logo depois da apresentação circense protagonizada pela equipe italiana em Cingapura, apuradas as razões das "falhas"e visto o prejuízo ao campeonato, os canhões da equipe e da nada confiável imprensa italiana apontaram para Kimi Raikkonen. Não que estajamos defendendo o finlandês, que realmente faz uma temporada fraca e não pontua há 4 corridas. Mas boatos incríveis e comentários maldosos começam a aparecer nestes dias.

O primeiro deles veio de Stefano Domenicali, que após defender o seu pirulito (sem trocadilhos, por favor!), disparou que a Ferrari tem a OBRIGAÇÃO de fazer 3 dobradinhas em 3 corridas. Logo depois foi a vez de Luca de Montezemolo, que revelou que tem ido ao psicanalista diariamente após o fatídico domingo na Ásia e que Raikkonen tem a OBRIGAÇÃO de melhorar seu desempenho para ajudar Massa. Agora, vem o novo boato, que diz que Raikkonen passou a noite se esbaldando na balada cingapurana (ou cingapurina, cingapurense, whatever) e depois promoveu uma esticadinha com moças de procedência duvidosa em seu quartinho de hotel até o sol raiar. Só que não contava com a presença de Jean Todt, que tentava dormir na suíte ao lado. Daí já sabem o resto... pilotar meio tonto, fim de corrida, fígado intoxicado, cara no muro...

Mas, como já revelamos, esse não é um texto para defender o Iceman. E sim para que a Ferrai pare de se esonder atrás do mau desempenho do atual campeão do mundo para justificar seus infortúnios. Quem deixou a mangueira engatada em Massa? Não foi o Raikkonen (Opa, essa pegou mal)! Quem deu a luz verde antes da hora? Também não foi o finlandês. Assim como não foi o Kimi que liberou o lote de bielas bixadas para os motores das corridas da Hungria e Valência, asssim como não foi ele que cometeu diversos erros na hora de liberar os pilotos para a pista nos treinos classificatórios. Raikkonen também não pode responder pelos problemas nas bombas de reabastecimento, nos escapamentos mal soldados ou nas estratégias medíocres que a Ferrari tem adotado em diversas corridas esse ano.

Está certo, Raikkonen tem lá um perfil fácil de ser criticado. Parece aéreo, às vezes fica um tempão com os olhões claros esbugalhados, pensando Deus sabe lá em quê. Fora que gosta de uma cana, queima o dente de vez em quando. Mas culpar isso integralmente por sua má fase e a de sua equipe é exagero. Assim como é exagero exigir de Massa a vitória como se seus infortúnios fossem todos culpa só dele. Fora que, esquecer o que o Iceman aprontou ano passado é falta de memória muito injusta. Não fosse o título suado e brilhante de Railkkonen, a Ferrari iria encerrar a temporada garfada e vencida por uma equipe que roubara seus planos e por dois pilotos geniais, mas que estavam muito mais preocupados em comer as víceras um do outro do que no título mundial.

O que aconteceu na Ferrari domingo foi uma demonstração clara do que tem sucedido dentro da equipe. Má gestão de pessoas, gente interessada muito mais no Business do que em corridas de carros, muita conversa de imprensa e patrocinadores poderosos. Daí vêm os erros primários, que em um mundo tão duro e competitivo são imperdoáveis. Apontar para os escorregões de Raikkonen e não reconhecer e corrigir os próprios erros é um pecado fatal que poderá custar à equipe de Maranello os títulos de pilotos e construtores de 2008.

domingo, 28 de setembro de 2008

GP de Cingapura - Alonso, o Rei da Noite

Noite, luzes, gente por todos os lados. O que parece o cenário de uma festa de arromba era na verdade a 800ª corrida de Fórmula 1. E o prognóstico parecia certo. A pista estava seca e em um circuito tão travado, as chances de ultrapassagens eram mínimas. Todos já se contentavam com uma procissão da F1 nas ruas de Cingapura. Felipe Massa, na pole position era o grande favorito para faturar o primeiro grande prêmio noturno. Mas, como já virou moda em 2008, as coisas não foram bem assim:
  • Apesar dos temores de um acidente na primeira curva, a largada foi limpa. Massa e Hamilton defendeam suas posições e logo abriram vantagem em relação a Raikkonen. No pelotão da reta guarda tudo permanecia em paz, sem catadas de tatus e afins;
  • Nas primeiras voltas, alguns defeitos da pista começaram a aperecer: ondulações, zebras muito altas e sujeira, muita sujeira. Por outro lado o efeito visual da pista iluminada pulsando entre os prédios na noite de Cingapura é de encher os olhos de qualquer torcedor.
  • Logo nas primeiras voltas, Rosberg e Alonso "criaram" um ponto de ultrapassagem na curva 7, onde fizeram lindas manobras para superar Trulli. Lá na frente, Massa lidera com folga. Já Hamilton, que parecia inalcançável, começava a ser seriamente pressionado por Kimi RAikkonen, que vinha em um ritmo alucinante.
  • Na volta 15, Nelson Piquet bate forte no muro, obrigando a entrada do Safety Car. Logo, Rosberg e Kubica aproveitam para fazer seu primeiro pit stop. Entretanto, os pits foram abertos apenas na volta seguinte. Posteriormente foram punidos com um stop and go cada;
  • Com os pits aberto, é a vez da parada dos líderes. Massa e Hamilton rumam para os boxes na mesma volta. A Ferrari erra de forma desastrosa, ao soltar Massa antes do fim do abastecimento. Isso prejudicou tanto Massa quanto Raikkonen, que vinha logo atrás e não tinha injetor de combustível. O brasileiro teve que esperar minutos até que os mecânicos retirassem a mangueira de reabastecimento de seu carro;
  • Na volta à pista, depois da situação de pits regularizada, Fernando Alonso apareceu de forma surpreendente na ponta. Rosberg, mesmo após a punição figura na segunda posição. Hamilton voltou em 8º. O prejuizo ficou por conta da Ferrari. Raikkonen voltou à pista na antepenúltima posição. Já Felipe Massa amargava a última posição, levando, ainda por cima, uma penalização pelo ocorrido nos pits;
  • Enquanto isso, Alonso abria na liderança e Hamilton garimpava ponto a ponto, beneficiando-se de paradas dos adversários para alcançar a terceira posição, de onde não saiu mais até a bandeirada. Nico Rosberg segurou sua segunda posição nas últimas voltas. Enquanto isso, Raikkonen era vítima das tartarugas instaladas nas zebras e acabou estampando o muro nas voltas finais. Massa, ainda penava na retaguarda.
  • Quando cruzaram a linha de chegada, era evidente o desgaste físico dos pilotos. Correr em Cingapura é quase igual a correr um GP de Macapá: umidade alta e calor forte. A festa ficou por conta da Renault, que conseguiu entregar a Alonso um carro que pode até não ser veloz, mas hoje não o deixou na mão. Já Hamilton, parecia contente com os 7 pontos que conseguiu abrir em relação a Massa no campeonato com o pódio de hoje. Também pontuaram em Cingapura: Glock, Vettel, Heidfeld, Coulthard e Nakajima.

Pontos fortes:

  • Nico Rosberg: Conseguiu um bom fim de semana em Cingapura. Fez bons tempos em todos os treinos e na corrida de hoje manteve-se veloz e constante para chegar ao segundo lugar mesmo após uma punição. Soube imprimir um bom ritmo, ultrapassou Trulli em uma bela manobra e fez a felicidade de Keke Pai.
  • Williams: Hoje meus amigos Aline e o Marcos Antônio merecem os parabéns. Rosberg e Naka correram muito e seus carros não os deixaram na mão. Chegaram bem e fizeram a felicidade de Sir Frank Williams, que fez questão de deslocar-se para assistir a corrida in loco. Esperamos que o ritmo seja mantido;
  • Massa e Raikkonen antes da volta 15: prometiam fazer uma festa ferrarista em Cingapura. Estavam dando um banho na McLaren, com carros equilibrados e que se ajustaram perfeitamente à pista de Cingapura. Massa desaparecia na frente. Raikkonen jantaria Hamilton em algumas voltas. Mas aí pintou um certo pit stop que acabou com tudo!

Marretadas

  • Regras, regras e regras: Não é possível que pilotos e equipes da categoria mais TOP do automobilismo tenham dúvidas primárias sobre o regulamento. As regras do pit fechado, da proibição de cortar chicane parecem que ainda não colaram na cabeça de ninguém! O quê que custa dar uma olhadinha no site da FIA?
  • Nelson Piquet: cometeu mais um erro e voltou a ficar com a corda no pescoço na Renault. Enquanto Alonso vencia, o piloto brasileiro teve que se desculpar com a equipe (como pôde-se ouvir pelo rádio) de forma totalmente constrangedora. Como se não bastasse, Nelsinho já sente Lucas di Grassi e Romain Grosjean fungando no seu cangote e com grandes chances de tomar seu cockpit. Ainda precisa amadurecer e perder um certo receio para consegur resultados mais consistentes.

Troféu cata-pirulito: Scuderia Ferrari


Em Cingapura não tem tatu. No início da corrida, estávamos aflitas para saber quem ocuparia a vaga do tatu. Mas não é que a Ferrari deu uma grande idéia Troféu Cata-pirulito. A falta que faz um bom pirulito grande, redondo, colorido igual ao da Chiquinha é incrível. Tivesse um pirulito lá, a Ferrari poderia estar comemorando agora. O fulano não teria errado nos interruptores do sinal e tanto Massa quanto Raikkonen teriam plenas chances de fazer boas apresentações. Mas não. Pior para Massa que já não depende de resultados próprios para ser campeão. E para a Ferrari, que foi ultrapassada no campeonato de construtores. Quiseram dar uma de chiques com o pirulito eletrônico e no final deu CHIQUINHA!

Prêmio F1-V8: Fernando Alonso
Podem até falar que a vitória caiu no colo de Alono. Mas isso pouco importa. Logo na sexta-feira ele mostrou que a pista poderia ter a sua marca. No sábado mais uma vez foi o mais veloz no treino livre. Mas na classificação, uma falha na injeção de combustível colocou o espanhol na 8ª fila. Largando lá de trás, Alonso foi abrindo caminho, lutando. Com a entrada do Safety Car e estratégia perfeita, Alonso ficgurou entre os primeiros. Daí, voltamos a ver aquele Alonso vencedor, não cisudo e travado dos tempos da McLaren, mas o Alonso alegre, arrojado e feliz de 2005 e 2006. Com a vitória de hoje, provou que um Rei nunca perde a sua majestade e marca seu nome como o primeiro vencedor de um GP noturno e da pista de Cingapura.


Perguntas instigantes: Massa ainda pode sonhar com o título de 2008?

sábado, 27 de setembro de 2008

Tudo sobre - GP de Cingapura

O circuito
Número de voltas: 61
Extensão: 5,067km

Pela primeira vez a F1 correrá à noite. E não poderia haver palco melhor que uma pista plantada no coração de uma metrópole, com prédios altos ao fundo, trânsito movimentado ao redor e toda a agitação típica de Cingapura. Mais uma jogada de mestre de Bernie Ecclestone para encher os bolsos dos empresários ligados à Formula 1. Com isso, o desenho do circuito foi definido com cuidado e para espantar os riscos de correr à noite, refletores potentes providenciaram iluminação 4 vezes mais intensa que a dos melhores estádios de futebol. Com isso, os amantes da velocidade puderam deliciar-se com carros que ganharam cores mais vivas e combinaram com o cenário noturno e o clima de balada da Cidade de Cingapura.
Apesar do belo visual, correr em Cingapura não será tarefa fácil. A pista é extremamente sinuosa, com nada menos que 23 curvas. Por essa caracteristica, já ganhou apelidos como "Hungaroring do Oriente". Muitas curvas implicam em grande número de trocas de marchas e movimentação intensa na direção. Por isso, a exigência física será das maiores e os pilotos vão sofrer para completar a corrida.
Já os carros, também devem padecer nas curvas de Cingapura. Como é um circuito lento, os bólidos apresentarão o pacote aerodinâmico de máximo downforce para garantir estabilidade nas intensas frenagens. As suspensões serão ajustadas para providenciar o máximo de aderência, pois a pista é de rua, que deve aumentar durante o fim de semana (pista verde). O motor não é tão exigido quanto em Monza, mas o regime de operação variável, com incontáveis trocas de marcha por volta, exige um acerto fino de mapeamento e também um bom desempenho a baixas rotações.
Por ser uma pista nova no calendário, todos os pilotos partirão do zero para aprender os macetes do circuito. Em geral, o traçado guarda as particularidades das provas disputadas na rua: baixa aderência, frenagens intensas e muitas ondulações. Todos deverão abrir o olho na curva 7, tomada à esquerda, em que é necessário frear da forma correta para não passar reto. Outro ponto crítico é a curva 23, a última curva do traçado, onde é importante conseguir a melhor trajetória para entrar voando na reta principal.
Pelo que se pôde ver da pista nos primeiros treinos, os pontos de ultrapassagens são praticamente inexistentes. E errar em alguns pontos vai significar muro e "adeus corrida".

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Formula 1 Night Fever!



A F1 comemora sua 800ª corrida com um inédito GP noturno. Por isso, todos aguardavam ansiosamente o Grande Prêmio de Cingapura. Todos estavam curiosos sobre como ficaria a pista, as preocupações com iluminação, além dos detalhes do circuito de rua que tem nada menos que 23 curvas! Talvez as ultrapassagens sejam raras na corrida, mas só pelo visual, já vale a pena assistir...

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Red Bull F1 em Brasília!!


Alô pessoal de Brasília!! A equipe Red Bull fará uma demonstração pelas ruas da cidade com um de seus modelos da Fórmula 1. O evento ocorrerá no dia 11 de outubro às 10 da manhã e contará também com os modelos da Stock Car.

A demonstração será na Praça dos Três Poderes e o percurso passará por pontos importantes da capital, como a Catedral, o Palácio do Planlato e o Congresso Nacional. O piloto que guiará o carro da Red Bull F1 será o canadense Robert Wickens. A idéia inicial era fazer com que o monoposto corresse no autódromo Nelson Piquet, que foi inaugurado em 1974 com uma corrida de Fórmula 1 extra-campeonato e mantém o traçado e asfalto originais até hoje. Entretanto, para acomodar um maior número de pessoas, decidiu-se por fazer a apresentação na Praça dos Três Poderes.
O evento será "na faixa"!!!

Um bom aquecimento para o GP Brasil de F1...

domingo, 14 de setembro de 2008

GP da Itália - L'enfant terrible


Se no início da temporada alguém se arriscasse a dizer que a Toro Rosso venceria uma corrida, certamente todos diriam que isso seria completamente impossível. Mas como em 2008 está sendo um ano totalmente anômalo, chegou a vez da Toro Rosso escrever seu nome entre as vencedoras da F1. E não foi em qualquer lugar: a equipe italiana equipada com motor Ferrari triunfou em nada menos que Monza, um templo sagrado do automobilismo.

O domingo amanheceu feio na Itália. Uma chuva fina insistia em cair desde as primeiras horas da manhã. Com isso, a pista ficou um tanto quanto molhada e a direção de prova achou mais prudente realizar a largada com o Safety Car. A torcida geral era para que o carro de segurança saísse logo da frente e deixasse a disputa rolar solta. O que aconteceu na 3ª volta. Mas este seria apenas o início de um GP da Itália emocionante:
  • Logo na largada uma decepção para a Toro Rosso: Sébastien Bourdais tem problemas no grid e não consegue sair com os outros carros. O francês só retornou à pista duas voltas depois, minando suas possibilidades de chegar bem;
  • Vettel aproveitou a saída do Safety Car para largar bem e afastar-se do pessoal do spray. A pista ainda estava muito molhada e as condições de visibilidade dos pilotos era mínima. Mesmo assim, não houve o famoso espalha-espalha que geralmente acontece na primeira chicane do GP da Itália;
  • Lá atrás, Hamilton e Raikkonen disputam posição. O inglês conseguiu superar o piloto da Ferrari na 12ª iniciando uma impressionante corrida de recuperação. Enquanto isso, Massa mantinha-se na 5ª colocação e fazia uma corrida segura, pensando no campeonato. O medo de perder pontos era tão grande que, após ter superado Rosberg passando por cima da Variante Dalla Roggia, Felipe devolveu a posição para evitar qualquer possibilidade de penalização;
  • Enquanto isso, belas disputas por posições aontecem a todo instante: Massa x Rosberg, Hamilton x Alonso e muitas trocas de posições no pelotão intermediário. Na volta 20 iniciam-se as paradas para reabastecimento e troca de pneus, revelando que alguns pilotos como Piquet, Kubica e Hamilton sinalizavam apostar na estratégia de uma parada só;
  • Nessa fase da corrida Hamilton mostrava-se impetuoso nas ultrapassagens, não tomando conhecimento dos adversários. A esta altura, o inglês já figurava na vice-liderança da prova, 13 posições à frente da que largara. Até que chegou a hora do piloto da McLaren parar, na volta 28 e retornar atrás de Felipe Massa na 8ª colocação;
  • A partir daí, a pista começou a secar e os pilotos tiveram que retornar aos pits para colocar pneus intermediários. Inclusive Lewis Hamilton, que apostava em uma parada única para tentar dar o bote em Vettel nas voltas finais;
  • Nas voltas finais, a apreensçao ficou por conta da disputa entre Massa, Webber e Hamilton. O piloto inglês mais uma vez foi para cima de Webber para garantir a ultrapassagem. Os dois chegaram a se tocar e o piloto da Red Bull teve que fazer a Variante Rettifilo por fora da pista. Com isso, Hamilton limpou o caminho para atacar Felipe Massa, que defendeu a posição e escapou das investidas do inglês;
  • Enquanto isso, Vettel reinava absoluto na ponta, guiando com cidado e responsabilidade e abrindo espaço em relação a Heikki Kovalainen. Robert Kubica conseguiu tirar vantagem da estratégia de uma parada só e assumiu a 3ª colocação;
  • Nas voltas finais, Raikkonen pareceu acordar do hibernamento e começou a andar forte, realizando ultrapassagens e marcando a melhor volta da prova, aproveitando-se da melhora na condição da pista. Em contrapartida, o carro de Hamilton começou a perder rendimento fazendo com que ele se contentasse com a 7ª posição;
  • Enfim, Vettel seguiu soberano para a vitória, acompanhado de Kovalainen e Kubica que também subiram ao pódio. Alonso e Heidfeld apareceram na 4ª e 5º colocação seguidos por Massa, Hamilton e Webber, que completaram os pilotos da zona de pontuação. Piquet recuperou-se da corrida fraca no final e cruzou a linha de chegada em 10º. Barrichello, carregando seu Honda nas costas chegou apenas em 17º;
  • Agora o campeonato pegou fogo de vez. Massa está com 76 pontos, a apenas 1 ponto de Hamilton, o líder. Kubica deixou Raikkonen para trás e aparece com 64 pontos na 3ª colocação.

Pontos Positivos:

  • Lewis Hamilton: realizou grandes ultrapassagens hoje em psio molhado. Não tomou conhecimento de Raikkonen, Alonso, Glock, Heidfeld, Trulli. Fez com Webber uma disputa dura pela posição, mas poderia ter espalhado menos para cima do australiano. Como as chicanes na Itália têm quebra molas, ficou fácil saber onde podia ou não passar. Foi bonito de ver o Hamilton sobrando na pista;
  • Heikki Kovalainen: sempre criticado por conseguir largar bem e não manter a posição, dessa vez Kovalainen fez a coisa certa. Mostrou-se rápido durante todo fim de semana, aparecendo sempre à frente de Hamilton. Hoje, mesmo enfrentando problemas de equilíbrio, não cometeu erros e conseguiu chegar em mais um pódio;
  • Robert Kubica: ficou na dele a corrida inteira. Largou em 11º e soube fazer uma prova sem erros e com a estratégia na medida certa para ganhar muitas posições. Assim, ganhou o terceiro lugar tanto na prova quanto no campeonato.
  • Felipe Massa: soube fazer uma corrida à "mineira" para tirar mais um ponto em relação a Hamilton. Poderia ter sido mais combativo em relação à Heidfeld, mas recordou-se dos erros do início da temporada para ficar na sua e não comprometer a disputa pela ponta no campeonato.

Marretadas:

  • Raikkonen e sua Ferrari: o efeito hibernação atingiu novamente Kimi Raikkonen. Mostrou-se apático durante toda corrida e claramente tinha dificuldades de equilíbrio em seu carro. Já no final, com a melhora da condição da pista e com pneus intermediários, acordou do sono, fez ultrapassagens e marcou a volta mais rápida. Entretando, acabou ficando mais uma vez sem pontos e raticamente disse adeus ao campeonato desse anos, o que é uma pena. Raikkonen poderia colocar fogo na disputa pela taça;
  • Nico Rosberg: estava bem durante todo o fim de semana, largou em boa posição e chegou a aparecer em 4º na corrida. Quando a pista secou, sofreu um apagão e foi parar na 14ª posição. Assim, a Aline chora!
  • Honda: está cada vez mais sofrível. Parece que Barrichello e Button estão pagando os pecados da vida inteira naquele cockpit. Nem Ross Brawn pode dar jeito nela. Assim, fica difícil atrair Fernando Alonso para lá. Até Barrichello estaria de malas prontas para a vitoriosa Toro Rosso. Faz ele muito bem.

Troféu Roda Bahiana: Glock (claro), Webber

Tinha esperanças de que a pista molhada oferecesse mais candidatos ao roda bahiana, mas até que o pessoal se comportou bem. Glock, mas uma vez, deu sua rodadinha, sem grandes consequências. Webber também rodou bonito e voltou para a pista. O espetáculo das rodadas aconteceu mesmo nos treinos e qualificação. Pista molhada é fogo! Ai que saudade do TC!!! hehehhe

Troféu cata-tatu: David Coulthard

Tá difícil de aguentar o David nessas suas últimas corridas. Acho que, pela idade, ele está perdendo o campo de visão periférica. Sempre que alguém vem para disputar posição com ele, é espinafrado na curva e aí é catar tatu na certa. Hoje, David mandou Fisichella e Nakajima catarem tatus italianos. No último incidente, os pedaços de seu carro e da Williams de Nakajima ficaram espalhados no meio da Parabólica já no finalzinho da corrida. Vettel, Massa e Hamilton passaram sobre os detritos e poderiam acabar com o pneu furado. Graças ao nosso querido David. Assim a gente conta com prazer: faltam 4.

Prêmio F1-V8: Sebastian Vettel e Toro Rosso.

Não poderia ser diferente. São os nomes da corrida. Vettel levou a Toro Rosso, ex-Minardi à vitória. MINARDI! Lembram dela? Quem diria que hoje venceria uma corrida em casa, fazendo os carros da McLaren, Ferrari, BMW comerem poeira (ou melhor, beberem água). E a festa só não foi completa pois Bourdais teve problemas na largada.

Quanto a Vettel, o que dizer de um piloto que conquista sua primeira vitória em um templo do automobilismo? De quebra, o alemão pulverizou o recorde de Fernando Alonso, tornando-se o piloto mais jovem a vencer na F1. Sebastian pilotou com maturidade, responsabilidade e concentração, não dando margem à ansiedade e aos erros que poderiam ser até normais em uma corrida disputada sob chuva. Ignorou os nomes de peso que disputavam o campeonato, marcou uma pole incrível e hoje cruzou a linha de chegada na primeira colocação conquistando uma vitória histórica. como um menino travesso, desviou a atenção da disputa do campeonato, comemorou a vitória com singeleza e espontaneidade e mostrou ao mundo que este é apenas o começo de uma carreira que tem tudo para ser vitoriosa.

Peruntas instigantes: Vettel chegará a ser campeão na F1?

sábado, 13 de setembro de 2008

Vettel - L'enfant terrible!


Mais uma vez a chuva deu as caras em Monza, para desespero de pilotos e equipes. Mas nem todos ficaram totalmente aflitos. A modesta Toro Rosso, Vettel e Bourdais literalmente nadaram de braçada na encharcada pista italiana.

Logo no início do Q1, viu-se que aquela não seria uma sessão comum. Os favoritos à pole Rakkonen, Massa e Hamilton lutavam para fazer tempo e garantir pelo menos a 16ª posição para passar ao Q2. Enquanto isso, a Honda de Barrichello e Button além de Nelson Piquet amargavam o fato de largar nas últimas posições. Na segunda fase do treino, viu-se o domínio de Heikki Kovalainen, que vinha marcando os melhores tempos. Situação bem diferente de seu companheiro de equipe, Lewis Hamilton, que só conseguiu o 15º tempo uma a mais que Kimi Raikkonen, que sairá da 14ª posição. Massa classificou-se para o Q3 com apenas o 10º tempo.

Na superpole observou-se o surpreendente domínio de Sebastian Vettel, que logo tratou de marcar o tempo de 1:37.555 e garantir sua primeira pole position na carreira. Seu companheiro Sebastien Bourdais também não deixou por menos e cravou o 4º tempo do dia. Dividindo a primeira fila com Vettel estará Heikki Kovalainen da McLaren. Mark Webber sairá da 3ª posição.

Este é um sábado histórico. Esta é a primeira pole da Toro Rosso e de Sebastian Vettel, que de quebra tornou-se o mais jovem piloto a marcar uma pole na F1, aos 21 anos e 2 meses. A marca anterior pertencia a Fernando Alonso, que saiu da primeira posição do grid de largada aos 21 anos e 7 meses no GP da Malásia de 2003. Com isso, o jovem alemão mais uma vez prova que, em breve, dará muito trabalho à Hamilton, Raikkonen, Massa, Alonso e cia.

Para amanhã, a previsão é de corrida sob chuva. Entretanto, se chover muito forte como na sexta feira, pode-se ter problemas na realização do GP. O que determina o cancelamento da corrida são as condições de pista (excesso de água e visibilidade) e teto que permita decolagem do helicóptero de resgate. Se não tiver teto, a largada é adiada até que as condições de tempo melhorem. Com pidta seca ou molhada, o GP da Itália promete fortes emoções.
** O título em francês não tem nada a ver com Vettel. Mas foi bolado durante a aula de francês, logo após o treino oficial do GP da Itália.

Tudo sobre - GP da Itália


Extensão: 5,793 km
Número de voltas: 53
Pole em 2007: Lewis Hamilton (1:47.338)
O Circuito


A Fórmula 1 despede-se da Europa em 2008 em um palco digno de tal honra: a pista de Monza. O autódromo localizado no parque Real de Monza foi contruido em 1922 e recebe a F1 desde sua primeira temporada em 1950. A sua principal caracterísitica é a de ser um circuito de altíssima velocidade, onde os carros alcançam assombrosos 340 km/h no final da reta dos boxes, o ponto mais veloz na temporada.

Com retas tão longas é de se esperar que se corra com a configuração de menor carga aerodinâmica na temporada. As asas assumem uma posição praticamente plana, garantindo o mínimo de arrasto possivel para voar nas retas. Em uma pista tão veloz é de se esperar que os freios desempenhem papel importante e em Monza eles são altamente exigidos. Só para se ter uma idéia, na Variante Retifillo a força g de desaceleração chega a 4,5. Em toda a extensão da pista existem 4 pontos de frenagem onde os carros chegam a mais de 320km/h. As equipes vão quebrar a cabeça para manter os freios resfriados sem preju[izo na aerodinâmica. Do ponto de vista da suspensão, a idéia é garantir a maior aderência mecânica possível e estabilidade de frenagem. Para fazer bons tempos em Monza é necessário atacar as zebras e frear bruscamente, para isso um bom acerto é fundamental. Geralmente os acertos são super-baixos e usa-se o velho truque da borracha na suspensão, para que o carro "sente" nelas em alta velocidade.

O motor é um capítulo à parte em Monza. Os pilotos passam 77% da volta com o pé embaixo no acelerador. Os propulsores precisam ser capazes de operar a uma velocidade média de 275km/h alcançando o máximo de 340km/h na reta dos boxes. Além disso, há um período de mais de 15 segundos em aceleração plena, que vai da saída da Parabolica até a entrada da Variante Rettifilo.

Monza é o último circuito ultra-veloz remanescente na Formula 1, o que significa garantia de diversão para os pilotos. O primeiro ponto crítico é a ariante Rettifilio, onde os pilotos fazem a freada mais brusca (de 340 para 74 km/h) e que pode fazer muita gente catar tatu logo na largada. Pouco depois tem a incrível Curva di Lesmo, feita em 2 pernas e em alta velocidade. Mais à frente vem a Variante Ascari, onde é necessário atacar as zebras para fazer um bom tempo.

Parabólica
Após a reta da Variante Ascari vem um ponto decisivo da pista: a mítica Parabolica, curva de alta, contornada a mais de 200km/h. Este é um ponto crítico do circuito. É necessário atacar a Parabólica da forma correta, para manter um traçado ideal e acelerar muito, para vencer a força centrífuga que joga o carro para fora da curva. Somente contornando a Parabolica perfeitamente, pode-se chegar à reta com condições de acelerar tudo até os quase 350km/h.


quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Anatomia - Por que o motor falha?


Hungaroring e Valência. Nas duas corridas a cena se repetiu. Um carro vermelho, rodeado de fumaça para em plena reta. Motor estourado. Fim de corrida. Este foi o destino de Massa e Raikkonen há algumas corridas. A Ferrari perdera dois motores em provas próximas. E agora, uma nuvem negra de preocupação paira sobre Maranello. E com razão. Semana passada a F1 correu em Spa, onde se acelera 70% da volta. Neste domingo, o desafio será vencer a velocíssima pista de Monza, onde os carros rasgam a reta a 340km/h. E os motores se esgoelam durante 76% da volta. E com a regra de 1 motor para 2 corridas, Raikkonen e muita gente do grid estará na segunda corrida do motor, após as altas exigências da Bélgica. Mas a gente se pergunta: o que leva um motor a falhar de forma tão repentina?
O motor é famoso por ser o coração do carro de F1 (e de qualquer outro, é claro). Obviamente, na categoria mais TOP do automobilismo, os motores têm que cumprir uma série de exigências. Certamente, se eu tivesse que escolher ser uma parte de um carro de Fórmula 1, eu não ecolheria ser o motor! Trabalha em regime de temperaturas incrível, gira que nem louco (a 19000rpm), tem seu funcionamento dependente de outros sistemas (eletrônico, hidráulico, pneumático), bebe que nem um doido, tem que ser ao mesmo tempo leve, resistente e confiável. E no final, ainda te culpam se algo vai mal. Fora que depois de duas corridas...
Por isso mesmo, todos estão de olho no motor. Entretanto, nem sempre as coisas vão bem. É de se esperar que um sistema que trabalha a temperaturas tão severas, com fluidos em altíssima velocidade e com tantas partes móveis vá apresentar alguns problemas. As equipes obviamente fazem de tudo para evitá-los, mas às vezes eles acontecem. As principais causas de falhas em motores de F1 podem ser assim divididas:
1 - Defeitos de fabricação, componentes novos defeituosos
Estas são as principais causas de falha no início da vida do motor. Como é composto por muitas peças e estas precisam trabalhar juntas de forma perfeita, algumas falhas são cometidas durante a montagem e a manufatura de certos componentes. Assim, logo que o motor está pronto, passa pelo dinamômetro, onde haverá o famoso "amaciamento", para que as coisas entrem em seu devido lugar e para que se tenha a certeza que o motor que será instalado no carro está funcionando bem. Segundo a Ferrari, um jogo de bielas com peqenos defeitos de fabricação foram as causas das recentes falhas nos motores de Massa e Raikkonen.
2 - Fadiga
Motores da F1 são feitos para durar normalmente 2 corridas. Comparando com nossos carrinhos de cada dia é até covarde. Nossos motores, com bloco em aço são feitos para aguentar milhares e milhares de quilômetros, considerando que nem todo mundo vai usar combustível de qualidade ou lembrar de trocar o óleo. Já na F1 as coisas são muito diferentes. Os motores geralmente os blocos são fabricados em liga de Magnésio e (cuja composição é segredo de Estado) e pistões em liga de Alumínio, para garantir leveza ao conjunto. Entretanto, esses materiais leves devem ser também resistentes, dadas as condições de operação do componente. E são essas condições severas de operação, como altíssima velocidade de rotação, variações bruscas de temperatura e vibrações que muita vezes geram a famigerada "fadiga" dos materiais, tão presente em diversas situações na Engenharia. Neste caso, uma fissura que muitas vezes é imperceptível a olho nu, pode transformar-se em um rombo enorme por causa do esforço repetitivo durante uma corrida e mandar as esperanças de seu piloto para o beleléu!
3 - Problemas hidráulicos e pneumáticos:
O tal "problema hidráulico" já virou até piada. Sempre que o carro parava sem motivo e o piloto chegava para falar com a imprensa com cara de chuchu, todos já sabiam que ele iria dizer que fora vítima de problema hidráulico. Parece desculpa esfarrapada, mas os problemas hidráulicos respondem por boa parte das falhas no carro de F1. E com o motor não é diferente. Se o acionamento hidráulico que bombeia óleo lubrificante falhar, adeus corrida. Isso porque o lubrificante é importante, não só para diminuir o atrito das partes móveis, mas também para agir como detergente limpando a sujeira causada pela combustão, além de garantir que o motor não vai superaquecer, já que o óleo rouba o calor das partes mais quentes enquanto circula. Os problema pneumáticos também não ficam para trás nessa hora, já que os sistemas de abertura e fechamento de válvulas têm controle pneumático. Um descompasso pode causar falhas graves e irremediáveis, como o choque do pistão em alguma válvula aberta. Aí, é fumaça e óleo pra todo lado!
Válvula com acionamento pneumático

4 - Fatalidades e falhas humanas
Ah, as fatalidades da F1! Elas sempre aparecem e não poupam nem os motores. Sempre pode haver uma porca do tamanho de um caroço de mostarda que pode ter ficado solta em algum cilindro... Daí, com o esforço repetitivo da corrida e a pecinha no pistão são o prenuncio de uma carnificina automibilística. Dá pena até de pensar. Além disso, tem o fator Humano na história. Apesar de todo controle, da telemetria, das centenas de sensores, alguém sempre pode fazer uma bobagem. E muitas vezes a bobagem é cometida por aquela peça importante, que fica entre o volante e o cockpit...

5 - Superaquecimento
Malásia, Hungria, Valência, e tantas outras dependendo do gosto do El Niño e La Niña. A F1 sempre vai correr em condições climáticas duras. Essas corridas geralmente são disputadas sob forte calor, se quebrar ovo no asfalto ele frita. E fritam também os miolos dos engenheiros e mecânicos que ficam tentando resfriar as máquinas. O carro de F1 tem 2 entradas de ar laterais para o radiador, e os motores são refrigerados a água e ar. Mas em algumas corridas, as entradas de ar ficam obstruídas, limitando a ação do sistema de arrefecimento. Assim, o motor pode sofrer com o superaquecimento. Trabalhando a temperaturas mais altas que as suportáveis, alguns componentes importantes podem ser prejudicados, o que pode levar deflagrar uma falha catastrófica, com gases a altíssimas temperaturas tomando conta de tudo, o que faz o propulsor fundir.
Diagnóstico
Todas as operações do motor são monitoradas pelo sistema de telemetria. Temperaturas, pressão do óleo, abertura de borboleta são alguns dos parâmetros observados pelas equipes. Qualquer alteração importante é prontamente avaliada e demanda uma resposta. Geralmente, quando se percebe uma alteração significante, o regime de rotação é alterado para que se possa evitar o pior durante uma corrida. Porém, muitas vezes as falhas são repentinas e catastróficas, ou seja, não sobra muito a fazer senão lamentar...
Além do sistema de monitoração, certos exames são realizados nos motores para atestar sua saúde. Alguns deles são até velhos conhecidos nossos. Quando se quer fazer uma inspeção interna no motor sem desmontá-lo, geralmente se usa um endoscópio, semelhante ao que se utiliza na endoscopia (aquele exame chato que enfiam um cano com câmera na ponta goela abaixo para fuçar o estômago). Assim, a equipe pode avaliar algum dano interno, como microfissuras ou outras anomalias que podem gerar uma falha grave. Outro meio de diagóstico, são os raio-X e tomografia computadorizada. Alguns componentes passam por essas avaliações mais detalhadas e não destrutivas para verificar fissuras e trincas ou outros concentradores de tensão ainda em estágio inicial. A diferença é que são métodos de diagóstico menos portáteis que o endoscópio, por isso não são utilizados durante o fim de semana de corrida.
Com a regra de 1 motor por duas corridas as quebras de propulsores estão mais raras. Isso porque as equipes tiveram que investir em projetos mais robustos e confiáveis que os de antigamente, o que acarretou em motores projetados para aguentar mais tempo. Mesmo assim, vez ou outra vemos o motor de muita gente abrindo o bico por aí... Por isso, é bom as equipes manterem os olhos abertos em Monza, onde os excessos no acelerador podem ter graves consequências.